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Covid-19: vacinas terão evitado quase 20 milhões de mortes

Um novo estudo aponta que as vacinas terão evitado 19,8 milhões de mortes, no primeiro ano, e que, em Portugal, pode ter-se evitado mais de 126 mil mortes. O principal autor do estudo realça que “poderia ter-se feito mais", se não tivesse havido desigualdade dos países mais pobres.
Vacina contra a Covid-19. Foto de Manatee County Government/Flickr
Vacina contra a Covid-19. Foto de Manatee County Government/Flickr

A revista The Lancet Infectious Diseases publicou um novo estudo que calcula o impacto da vacinação contra a coronavírus e o número de mortes evitadas por esta ação, a nível mundial.

Para o estudo, uma equipa chefiada por Oliver Watson, que é investigador do Imperial College de Londres, usou um modelo matemático com dados de países com as mortes oficiais de covid-19, ocorridas entre 8 de dezembro de 2020, que marca o início oficial da vacinação a nível global, e um ano depois, 8 de dezembro de 2021. Atualmente, dois terços da população já receberam, pelo menos, uma dose da vacina.

Ao jornal “Público”, Watson calculou que a estimativa em relação a Portugal é de 135.900 mortes evitadas, “com uma incerteza entre 126.700 e 179.300 mortes”.

Oliver Watson destaca que as vacinas "salvaram milhões de vidas. Mas poderia ter-se feito mais", sublinhando que "se tivessem sido alcançados os objetivos fixados pela OMS, calculamos que poderiam ter-se salvado aproximadamente uma em cada 5 das vidas que se calcula que se tenham perdido por causa da covid nos países de baixos rendimentos".

Segundo a Lusa, o estudo indica que poderia ter-se evitado outras 599.300 mortes se tivesse sido cumprido o objetivo da Organização Mundial da Saúde (OMS) de vacinar 40% da população de cada país no final de 2021.

A equipa que realizou o estudo fez uma análise separada com base no valor do excesso de mortes registado durante o mesmo período e, quando não existiam dados oficiais, usou estimativas do excesso de mortalidade por todas as causas, fazendo comparações com cenários hipotéticos.

Disigualdade no acesso: foi nos países ricos que se evitaram mais mortes

Segundo o estudo, baseado em dados de 185 países, as vacinas evitaram a morte de 19,8 milhões de pessoas, em 31,4 milhões de mortes potenciais. A maior parte das mortes (12,2 milhões das 19,8) foi evitada nos países de altos e médios rendimentos, o que comprova o efeito brutal das desigualdades no acesso às vacinas em todo o mundo.

No estudo foram incluídos 83 países da Covax, a iniciativa internacional de partilha de vacinas, calculando-se que 7,4 milhões de mortes tenham sido evitadas dentro das 17,9 milhões que poderiam ter ocorrido. A falha nas metas da vacinação nalguns países não terá evitado a morte de mais de mais 156.900 pessoas.

Oliver Watson refere que “os nossos resultados fornecem a avaliação mais completa até à data do impacto global notável que a vacinação teve na pandemia de covid-19”, salientando que “das quase 20 milhões de mortes estimadas que terão sido evitadas no primeiro ano depois de as vacinas terem sido introduzidas, quase 7,5 milhões de mortes foram evitadas em países cobertos pela Covax. Os nossos resultados mostram que milhões de vidas foram, provavelmente, salvas quando as vacinas ficaram disponíveis para as pessoas em todo o lado.”

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