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Covid-19: Senadores republicanos lucram milhões na bolsa com informação reservada

Semanas antes de as bolsas irem ao fundo, dois membros do Comité de Saúde do Senado norte-americano livraram-se das suas ações após serem informados da dimensão da futura crise, numa altura em que a Casa Branca ainda desvalorizava em público a situação.
Senadores Richard Burr e Kelly Loeffler. Fotos Wikipedia.

Richard Burr e Kelly Loeffler são os dois senadores republicanos sob suspeita de terem lucrado na bolsa como o novo coronavírus, ao terem acesso a informação reservada antes do colapso dos mercados.

Ambos pertencem ao Comité de Saúde do Senado e Burr preside ainda ao Comité de Informações. Segundo o portal Propublica, o senador da Carolina do Norte “vendeu uma percentagem significativa das suas ações, despachando entre 582.029 e 1.56 milhões de dólares em títulos no dia 13 de fevereiro em 29 transações”, uma semana antes dos mercados afundarem.

As vendas de ações por parte do Senador terão começado no dia 24 de janeiro, data em que participou num briefing privado e destinado apenas a senadores acerca da propagação do Covid-19.

Um porta-voz do senador justifica a sua conduta, dizendo que as transações foram feitas semanas antes dos mercados financeiros darem sinais de volatilidade por causa do surto do coronavírus. Mas é justamente isso que está em causa, uma vez que Burr tinha acesso a informação privilegiada sobre os cenários elaborados pela administração norte-americana.

A rádio pública NPR acrescenta ainda que Burr alertou no fim de fevereiro “um pequeno grupo de eleitores” com ligações ao mundo da política e da finança da Carolina do Norte para o que estava para vir. O senador rejeita que se tratasse de um grupo de grandes doadores. As gravações dessa conversa foram tornadas públicas e mostram como o senador fez previsões bem mais pessimistas (ou realistas) quanto à dimensão do surto ou a necessidade de tomar medidas como o fecho de escolas e serviços a curto prazo. Na mesma altura, as suas declarações públicas eram em tom mais despreocupado, ao afirmar que a administração Trump estava bem preparada para enfrentar o surto.

A outra figura sob suspeita é Kelly Loeffler, senadora republicana do estado da Geórgia. As suas transações nas vésperas das bolsas irem ao fundo foram reveladas pelo site Daily Beast: entre o fim de janeiro e a primeira quinzena de fevereiro, Loeffler e o marido, que preside à bolsa de Nova Iorque, venderam ações avaliadas entre 1.275 e 3.1 milhões de dólares. Mas também investiram na compra de ações, nomeadamente da Citrix, uma empresa de software para teletrabalho que viu entretanto a sua cotação subir.

A senadora reagiu nas redes sociais contra o que diz ser “ataques ridículos e infundados”. Loeffler afirma que toda a gente sabe que não é ela que toma decisões sobre os seus investimentos, deixando essa tarefa a especialistas sem que ela ou o marido tenham conhecimento das operações em concreto.

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