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Covid-19: Myanmar apela a ajuda internacional perante onda crescente de infeções

Organizações não governamentais estão a receber apelos desesperados da população que não tem meios para enfrentar a pandemia. Junta Militar, que até aqui tem vindo a bloquear a ajuda humanitária, pediu na quarta-feira mais apoio da comunidade internacional.
O povo de Myanmar espera perto de botijas de oxigénio alinhadas para reabastecer à porta de uma fábrica de oxigénio em Yangon, em 11 de julho de 2021. Myanmar está a enfrentar uma escassez de oxigénio para tratar pacientes críticos devido ao número crescente de casos de covid em todo o país. Foto EPA / LYNN BO BO, agência Lusa.

De acordo com Sophie Brondel, da organização não governamental Info Birmanie, “a situação em Myanmar está a piorar a cada mês, a cada dia”.

“Desde o golpe, a situação no que respeita aos direitos humanos deteriorou-se. Mais de 900 pessoas foram mortas, mais de 5.000 pessoas foram presas. Vários conflitos ressurgiram e desenvolveram-se, com o exército a bombardear certas aldeias. Existem mais de 230 mil deslocados internos e a junta militar está a bloquear a ajuda humanitária”, explicou a ativista de direitos humanos ao Esquerda.net.

A nível económico e social os indicadores também estão a deteriorar-se: “O sistema económico está paralisado” e “os indicadores de pobreza estão a explodir. É uma situação económica e social muito difícil”, descreveu Sophie Brondel.

Acresce que o país está a enfrentar uma terceira vaga de Covid-19. A ativista assinalou que, desde o golpe, os hospitais não estão a funcionar, a Junta está a atacar os médicos e aqueles que podem dar assistência e apoio a quem está doente” e “não existem medicamentos ou oxigénio”.

“A situação sanitária é muito crítica”, alertou.

A Info Birmanie está “a receber apelos desesperados da população que não tem meios para enfrentar a pandemia”. “Preocupa-nos bastante o evoluir da situação. Até porque a resposta da comunidade internacional não é suficientemente forte”, avançou a ativista.

As infeções em Myanmar aumentaram desde junho, com 4.980 novos casos e 365 mortes relatados na quarta-feira, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Os médicos e os serviços funerários apontam número muito superiores de vítimas.

O portal de notícias Myanmar Now, citando várias testemunhas, relatou que pelo menos oito pessoas morreram num hospital de Yangon no fim de semana depois do sistema de oxigénio ter falhado.

Na semana passada, prisioneiros em Yangon fizeram um protesto devido a um grande surto de Covid na prisão de Insein, onde muitos manifestantes pró-democracia estão detidos.

A Junta de Myanmar, que tem colocado sérios entraves à assistência médica e humanitária no território, veio apelar na quarta-feira a uma maior cooperação com a comunidade internacional para conter o coronavírus. O general sénior Min Aung Hlaing apelou a mais cooperação na prevenção, controlo e tratamento da covid, incluindo com membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e "países amigos", informou a Nova Luz Global de Myanmar, citada pela Reuters.

A agência de notícias britânica assinala que Myanmar vacinou apenas cerca de 3,2% da sua população.

As Nações Unidas alertam para a situação dramática no país e advertem que, com a vacinação e a testagem paradas, "Myanmar está a transformar-se num supertransmissor de Covid-19". Em declarações ao The Guardian, Tom Andrews, que acompanha a situação dos direitos humanos em Myanmar, apelou a um cessar-fogo imediato e medidas urgentes para conter a pandemia.

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