Está aqui

Covid-19: Grupo Luz Saúde faturou 38 milhões em vendas ao Estado

O grupo detido pela Fosun foi quem mais faturou com a venda de equipamentos de proteção individual e de testes. As três empresas que mais faturaram nos negócios com o Estado foram empresas chinesas ou de importação de produtos chineses.
O grupo Luz Saúde foi quem mais faturou com a covid-19, devido à venda de equipamentos de proteção individual e de testes – Foto de Paulete Matos
O grupo Luz Saúde foi quem mais faturou com a covid-19, devido à venda de equipamentos de proteção individual e de testes – Foto de Paulete Matos

O jornal “Público” revela na edição desta quarta-feira que o Grupo Luz Saúde foi o que mais faturou nos negócios com o Estado, para responder à pandemia. O destaque do grupo não se deve a qualquer hospital ou estabelecimento de saúde, mas à GLSMED Trade, “uma empresa de distribuição de produtos, equipamentos e dispositivos médicos do grupo”, como é anunciado no site do Luz Saúde.

Segundo o jornal, a GLSMED Trade vendeu equipamentos de proteção individual (EPI) no montante de 19,7 milhões de euros e 18,3 milhões em testes, os quais são produzidos pela empresa farmacêutica chinesa Fosun Pharma. Recorde-se que o grupo Luz Saúde é detido pela empresa chinesa Fosun, diretamente e através da seguradora Fidelidade, que é também da Fosun. Os EPI já eram comercializados pelo grupo, através desta empresa, que com a pandemia acrescentou os testes ao negócio.

A GLSMed Trade faturou um total de 38,3 milhões de euros, tendo sido a DGS (Direção-Geral da Saúde) a entidade que mais gastou, com 32,7 milhões de euros, seguida dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (2,7 milhões de euros), do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central e da Câmara de Lisboa (com cerca de 659 mil euros cada).

O grupo Luz Saúde está a vender não só para o SNS, mas também para outras instituições públicas e privadas. Ao Público, o grupo refere que “de todas as máscaras cirúrgicas que importámos, menos de 30% foram entregues à DGS e as restantes 70% a outras entidades”.

O Luz Saúde, em declarações ao jornal, refere ainda que “[a Fosun] partilhou muita informação relevante sobre a crise sanitária na China e permitiu-nos, desde o início desta pandemia, ter uma noção do que poderia ser a dimensão das necessidades do nosso grupo e do país”.

477,6 milhões de euros para a covid-19 e três empresas que mais faturaram

De acordo com a análise feita pelo jornal a mais de 15 mil contratos públicos, feitos para enfrentar a pandemia, o Estado gastou 477,6 milhões de euros em diversos materiais, desde as compras para adaptar hospitais ou fazer obras, até à compra de máscaras, desinfetantes e ventiladores.

Segundo o Público, as três empresas que mais faturaram nestes contratos públicos foram, em primeiro lugar, a já referida GLSMed Trade.

Em segundo lugar, foi a também chinesa Guangdong H&P Import and Export Co, com 11 contratos e 31 milhões de euros, que vendeu sobretudo ventiladores.

Em terceiro lugar, foi a Enerre, com 22 milhões de euros e 119 contratos, quase todos com a Câmara de Cascais. A Enerre é uma empresa portuguesa, mas há 15 anos que faz importações da China e tem um escritório em Xangai. A Enerre é especializada em brindes, bordados e fardamento e, na pandemia, o que mais vendeu foi material de proteção.

O traço comum nestas três empresas, é o negócio de importação de EPI's e outro material da China, por empresas chinesas ou com experiência na importação de material desse país.

Termos relacionados Covid-19, Sociedade
(...)