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Covid-19: Escolas e lares sem orientações da DGS para testes rápidos

As farmacêuticas já estão a promover os seus testes junto dos responsáveis dos lares e dirigentes escolares. Mas ninguém recebeu informação da DGS, uma semana depois da publicação do decreto.
Alunos à entrada da Escola Secundária Infanta Dona Maria no início das aulas. Foto de Paulo Novais/Lusa.
Alunos à entrada da Escola Secundária Infanta Dona Maria no início das aulas. Foto de Paulo Novais/Lusa.

A declaração do estado de emergência e o decreto que prevê o recurso a testes de antigénio já tem uma semana, mas as instituições públicas e privadas que deveriam ser as principais recetoras dos “testes rápidos” à covid-19 ainda não receberam qualquer informação da Direção-Geral da Saúde (DGS), noticiou o Público.

Ao jornal, a DGS afirma que irá enviar a informação “a seu tempo”, acrescentando apenas que “até ao dia 15 de Novembro foram contabilizados no SINAVE [Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica] cerca de 565 casos confirmados por TRAg [Testes Rápidos de Antigénio]”. 

O director do Departamento da Qualidade na Saúde da DGS​, Valter Fonseca, afirmou em declarações à RTP que “não existe desarticulação, existe uma operacionalização e implementação progressiva que, com as equipas de proximidade, junto das escolas, dos lares, tudo será explicado a seu tempo, à medida que os testes irão ser implementados e utilizados.”

E acrescentou que “há uma relação de proximidade entre as escolas e as equipas de saúde escolar e as autoridades de saúde locais que estão, progressivamente, em conversações para que seja clara a forma como estes testes vão ser utilizados, sobretudo em situações de surto". No entanto, o responsável da DGS defende que "a sua utilização deve ser feita com critério, não deve ser feita em massa. A utilização nas escolas, mesmo nessas situações, deve ser feita sempre que existe uma suspeita de surto ou sempre que existam casos suspeitos de covid -19”.

Mas no terreno não se confirmam as declarações do responsável da DGS. Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, afirma que “os testes rápidos ainda não estão a ser usados nas escolas, estamos à espera de indicações. Vimos o anúncio do primeiro-ministro, depois o decreto, que chegou às escolas, agora estamos à espera de orientações, quer para testes rápidos, quer quanto à possibilidade de medição de temperatura, mas sobretudo em relação à realização de testes rápidos. Não há nenhuma alteração nos procedimentos que temos estado a adoptar até agora”

Considerando a medida positiva, Filinto Lima considera que “deve ser implementada”: “Precisamos de esclarecimentos, em que circunstâncias, quem os realiza, quando podem ser feitos. O decreto diz que nós determinamos a realização de testes, mas com base em que critérios? Não sei. Em que circunstâncias? Quem os faz? Há uma série de dúvidas que têm de ser esclarecidas. Gostaria que a tutela esclarecesse estas dúvidas no mais curto espaço de tempo possível. Até porque tornará as escolas mais seguras.”

O decreto prevê não só que possam ser sujeitos à realização de testes de diagnóstico “os trabalhadores, estudantes e visitantes dos estabelecimentos de educação e ensino e das instituições de ensino superior” como que o “responsável máximo do respectivo estabelecimento” determine a realização de testes.

Ao Público, a ARS do Algarve confirmou a receção dos testes, que “foram distribuídos pelas ADR - Áreas Dedicadas para Doentes Respiratórios da região e pelas unidades hospitalares do Centro Hospitalar Universitário do Algarve” mas que, “até ao momento, ainda não se verificou nenhuma situação em que fosse necessária a utilização destes testes nem em escolas nem em lares da região”. 

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