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Costa e Centeno viram campanha do PS contra o Bloco

Costa e Centeno voltaram a virar baterias contra o Bloco. Em resposta, Catarina Martins afirmou que “quem quer fazer pontes, não as queima". Sobre as acusações de Mário Centeno acerca das contas do programa do Bloco, a coordenadora do Bloco afirmou que “não apresentamos um programa a cada dia”.
Catarina Martins em visita ao bairro do Arcozelo, Barcelos, 20 de setembro de 2019. Foto: Paula Nunes.
Catarina Martins em visita ao bairro do Arcozelo, Barcelos, 20 de setembro de 2019. Foto: Paula Nunes.

Durante uma visita ao bairro do Arcozelo em Barcelos, Catarina Martins respondeu a críticas de António Costa e Mário Centeno ao programa do Bloco e apelou a "compromissos claros e contas certas".

António Costa afirmou em entrevista a Daniel Oliveira que a solução de governo se fez "apesar do Bloco" e que este apenas se juntou mais tarde. Para Catarina, "isso não interessa a ninguém. Há livros escritos sobre todo esse período".

Já Mário Centeno, em conferência de imprensa esta sexta-feira no Largo do Rato, classificou o programa do Bloco como "devaneios eleitorais" afirmando que obrigaria a duplicar a receita de IRS até 2023 para cumprir as medidas que propõe na saúde, cultura e investimento público.

"Fico agradada por o programa do Bloco de Esquerda estar no centro do debate e das preocupações do PS: alguma coisa estamos a fazer bem", começou por responder Catarina Martins às questões das jornalistas sobre as críticas de Centeno, reiterando que "apresentamos compromissos claros e contas certas".

No entanto, prosseguiu a coordenadora do Bloco, é o PS que continua a fazer declarações e a mostrar números díspares. Na habitação, o PS "prevê acabar com toda as carências habitacionais até 2024, mas não tem orçamento sequer para metade das 26 mil casas necessárias para as famílias mais vulneráveis". Nos aumentos da função pública, lembrou, o PS só mostrou as suas contas depois dos debates televisivos e por pressão dos jornalistas, que agora Centeno voltou a reformular. "Vimos as contas que apresentam agora, e continua a faltar capacidade orçamental para cumprir as promessas do programa do PS", sentenciou.

Em relação a investimento público, questionada sobre um alegado acréscimo de 30 mil milhões de euros em despesa que Centeno imputou aos números do Bloco, Catarina foi taxativa: "Não sei onde Mário Centeno vai buscar esses números". A proposta do Bloco, explicou, está clara no programa: duplicar o investimento público para 10 mil milhões de euros ou 5% do PIB. "Centeno também disse há pouco tempo que queria duplicar o investimento público, agora pelos vistos arrependeu-se", constatou.

"Nós no Bloco não apresentamos um programa a cada dia, mantemos o mesmo programa", ripostou Catarina Martins. 5% do PIB em investimento público é um valor que o país já teve no passado, explicou, e sem o qual não será possível responder às crises da habitação, do clima, e a outras necessidades prementes. Perante a insistência dos jornalistas sobre as críticas do PS, Catarina questionou: "não sei se o PS está arrependido destes quatro anos. Nós não estamos".

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