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Cortes na Cultura e privatização da RTP em debate

Depois da mesa redonda de sexta no São Luiz, o Bloco de Esquerda promove este domingo uma sessão pública no Porto, sobre o Orçamento do Estado para a Cultura e o processo de privatização da RTP, com vários convidados ligados ao setor.
O debate prossegue este domingo às 18h30 no Teatro Carlos Alberto, no Porto

Em declarações à Lusa, a deputada bloquista Catarina Martins disse que o objetivo é promover um "debate alargado" sobre política cultural e serviço público de comunicação social. Este domingo, às 18h30 no Teatro Carlos Alberto, no Porto, serão oradores convidados Ada Pereira da Silva, da Associação dos Profissionais de Artes Cénicas (Plateia), Daniel Pires, do Maus Hábitos, e o ator António Capelo.

O debate arrancou na sexta-feira em Lisboa, no Teatro Municipal São Luiz, e contou com a presença de Nuno Artur Silva, diretor do canal Q e das Produções Fictícias, Eduardo Simões, da Associação Portuguesa de Fonografia, Luís Raposo, presidente da comissão nacional do Conselho Internacional dos Museus e da deputada Catarina Martins.

"Talvez fosse útil elencar prioridades. Há riscos sérios de uns problemas anularem os outros e isto ser coberto por uma generalidade: "não há dinheiro, a malta da cultura está toda aflita"", propôs Nuno Artur Silva, acrescentando ser necessário neste momento de emergência para a Cultura em Portugal, "identificar em cada setor aquilo de que não se deve mesmo abdicar".

Em resposta ao desafio, Luís Raposo escolheu "a organização geral do Estado" na área do património. "Mais importante do que o dinheiro é a visão estratégica em termos de património. Como se deve organizar, quem o gere. Manter a qualificação técnica e negar o comissariado político", defendeu o arqueólogo. Eduardo Simões falou dos perigos do aumento do IVA nos espetáculos, que pode levar o país a sair da rota dos festivais e concertos internacionais. E Nuno Artur Silva disse ser essencial que a RTP não seja privatizada, acrescentando que essa discussão  devia ser colada à da Televisão Digital Terrestre, porque na sua opinião, a "salvação da RTP passa precisamente por aí".
 
A deputada Catarina Martins considera que os cortes previstos no Orçamento para a secretaria de Estado da Cultura (as verbas representam 0,1 por cento do PIB) vão "desagregar os serviços culturais".

A deputada bloquista acusa o Governo de apresentar um programa de reestruturação para a RTP "sem estratégia definida", alegando que o documento é omisso relativamente a áreas como o serviço de rádio ou a RTP Memória.

Em declarações à Lusa, Catarina Martins defendeu que só depois de um "grande e aprofundado debate" sobre o que é o serviço público e quais as suas responsabilidades será possível avançar com um plano de alterações, tanto na RTP, como na Lusa, a agência de notícias. "Todo o dinheiro público aplicado numa RTP que não é de serviço público é dinheiro desperdiçado", advogou.

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