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Corte orçamental deixa Lusa a trabalhar "nos seus limites”

Numa nota enviada aos trabalhadores, o presidente do Conselho de Administração afirma que a Lusa parte para 2020 com um orçamento onde terá “de sacrificar drasticamente o investimento nas áreas tecnológicas para não atingir a área editorial".
Manifestação de 2012 contra os "cortes cegos" na agência. Foto de Pedro Khron.

Partimos "para 2020 com um orçamento onde teremos de sacrificar drasticamente o investimento nas áreas tecnológicas para não atingir a área editorial. Mas não é possível esconder que o exercício orçamental do próximo ano é de altíssimo risco e que a Lusa está a trabalhar nos seus limites", lê-se na missiva assinada por Nicolau Santos.

O presidente do Conselho de Administração da agência lembra que o orçamento da Lusa foi aprovado apenas em 19 de julho, com um corte de 464 mil euros, imposto pelo acionista Estado. Isto numa altura em que a empresa teve de fazer face aos encargos com os trabalhadores precários que se tornaram "muito justamente" quadros da empresa, bem como a regularização das avaliações em falta.

Nicolau Santos assinala, por outro lado, que 2019 foi um ano "particularmente rico" para a Lusa, que esteve "na linha da frente do combate à desinformação" ('fake news').

"A Lusa é hoje um fator incontornável de coesão social do país, bem como da defesa dos valores democráticos ao fornecer uma informação rápida, isenta, rigorosa e plural a todos os seus clientes, 24 horas por dia, 365 dias por ano, elaborada minuto a minuto pelos seus 250 profissionais espalhados por Portugal e pelo mundo", escreve, acrescentando que, apesar das dificuldades, foi possível “angariar novos clientes nacionais e internacionais para os serviços que disponibilizamos sob várias plataformas".

Em julho, os órgãos representativos dos trabalhadores (ORT) da Lusa afirmavam que a decisão do Governo de cortar o orçamento da agência para 2019 era inaceitável, levando a “uma brutal perda da qualidade do serviço” prestado e pondo em causa postos de trabalho.

Em comunicado, os trabalhadores destacavam serem “inaceitáveis os constrangimentos financeiros que o Governo impõe à Lusa desde há anos, com cortes sucessivos e o não cumprimento integral do contrato-programa, desde logo por não transferir anualmente a compensação prevista pelo valor de inflação”.

O Bloco de Esquerda também já tinha questionado o Governo sobre a intenção de fazer cortes orçamentais na agência Lusa, apontando que os cortes “seguramente irão pôr em causa a qualidade de serviço praticada pela Lusa”.

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