Corrupção em Gaia: Bloco insiste em comissão de acompanhamento das grandes obras

26 de maio 2023 - 16:26

Na sequência da operação Babel sobre suspeitas de corrupção entre grupos imobiliários e a autarquia, o grupo municipal do Bloco defendeu que o PS deixe de se opor à proposta de uma comissão para permitir mais fiscalização e transparência por parte da Assembleia Municipal.

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Câmara Municipal de Gaia
Câmara Municipal de Gaia. Foto Petr Adam Dohnálek/Wikipedia

Na reunião da Assembleia Municipal de Gaia esta quinta-feira, o grupo municipal do Bloco de Esquerda interveio sobre o caso que levou à detenção do vereador do Urbanismo da autarquia por suspeitas de corrupção em torno dos projetos Skyline e o Centro de Congressos em Gaia, promovidos pelo grupo Fortera no concelho.

Reconhecendo tratar-se de "um momento muito difícil e traumático para a vida da nossa autarquia", os deputados municipais João Martins e Nelson Silva lembraram que a 16 de fevereiro a maioria absoluta do PS na Assembleia Municipal chumbou a proposta do Bloco de Esquerda para a criação de uma Comissão de Acompanhamento das grandes obras estruturantes do Concelho.

"Fizemos essa proposta porque sabemos que, nas grandes obras, frequentemente o diabo se esconde em pequenos detalhes, detalhes que escapam facilmente ao escrutínio regular e pouco profundo que a carregada agenda das Assembleias Municipais permite e porque entendemos que uma comissão de deputados especificamente dedicados a esse assunto poderia trazer a este plenário um reforço da capacidade de escrutínio e de controle que lhe compete fazer", sublinharam os deputados, apelando ao PS para reverter a sua posição e viabilizar a constituição desta comissão de acompanhamento.

"Todos sabemos também que "grandes obras" e "maiorias absolutas" são dois ingredientes que, quando se juntam, podem ter tendência a produzir uma mistura altamente inflamável", e que por isso a proposta da comissão de acompanhamento "era de um elementar bom senso democrático, de uma prudência que é sempre aconselhável, mas cuja necessidade é reforçada pelo facto de vivermos uma situação de maioria absoluta de um só partido". Por outro lado, essa comissão teria permitido que o vereador fosse chamado a dar esclarecimentos aos deputados sobre o trabalho que tutela, tal como acontece aos governantes na Assembleia da República, um mecanismo que não está previsto no funcionamento das autarquias.

O grupo municipal bloquista lamenta também "os efeitos nefastos que todas as trapalhadas das atuais maiorias absolutas estão a provocar, fornecendo combustível para um antissocialismo primário, nas suas diferentes versões, desde os mais bafientos rancores fora de época até aos novos radicalismos de direita, tanto na grosseira versão de taberna como na ligeiramente mais sofisticada versão de business school". E promete estar disponível para acompanhar quem defenda "uma sociedade e um concelho mais desenvolvido e mais justo para todos, sem cedências a vigarices e compadrios com os mais ricos e poderosos".

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