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Corbyn defende permanência na UE em caso de referendo de proposta conservadora

O líder dos Trabalhistas britânicos escreveu um email aos militantes em que declara que o partido deve votar na permanência do país na União Europeia no caso de um referendo a um acordo proposto pelos conservadores ou a uma saída sem acordo.
Jeremy Corbyn.
Jeremy Corbyn. Foto de Garry Knight. Flickr.

A impaciência estava já a assaltar vários dos membros do governo sombra trabalhista enquanto Jeremy Corbyn não atualizava a sua posição sobre a questão do referendo à permanência ou saída do Reino Unido da União Europeia. Enquanto se levantavam vozes a exigir uma decisão, o líder trabalhista decidiu esperar e consultar sindicatos e outros setores do partido sobre esta matéria.

Apenas esta terça-feira, depois dos sindicatos se terem pronunciado, Corbyn enviou uma declaração por email aos membros do partido em que finalmente esclarece que, caso um referendo sobre o acordo de Brexit ou sobre uma saída sem acordo seja convocado por um governo conservador, apelará ao voto na permanência.

Contudo, a mensagem não é clara sobre que posição concreta assumirá caso vença umas possíveis eleições legislativas antes de se concretizar a saída e tenha de negociar ele próprio um acordo com a União Europeia. Cuidadosamente Corbyn escreve que “quem quer se torne o novo Primeiro-Ministro deve ter a confiança para colocar o seu acordo ou não acordo de volta ao voto público”. O líder trabalhista acrescenta que se oporá a “um acordo Tory que não proteja a economia e os empregos”.

Na passada segunda-feira, os sindicatos tinham tornado pública uma declaração neste mesmo sentido. Apelavam ainda a que o Labour negociasse o seu próprio acordo e depois o levasse a referendo. Também os sindicatos optavam por não dizer em parte alguma como deveria concretamente o partido votar nessa eventualidade.

Na mesma missiva, Corbyn defendeu a posição do partido nos últimos três anos dizendo que era correto apelar ao respeito pelo referendo de 2016: “o Labour implementou um plano de compromisso para tentar unir o país em torno de uma união alfandegária, uma relação forte de mercado único e de regulamentos ambientais e direitos laborais”.

Apesar de não satisfazer os setores que defendem que o partido deve avançar com a proposta de um novo referendo e, nesse referendo, com a posição absoluta e inequívoca de permanência, esta tomada de posição dá um passo que não tinha sido assumido na altura das passadas eleições europeias em que Corbyn já tinha desafiado os conservadores a colocar o seu acordo a votação mas não tinha ainda dito qual seria o sentido de voto caso esse referendo fosse mesmo concretizado.

O núcleo do governo-sombra de Corbyn vai, assim, continuar dividido sobre tal posição com John McDonnell e Emily Thornberry a apelarem a uma posição absolutamente pró-remain e com Jon Trickett e Ian Lavery contrariando essa ideia que não respeitaria o referendo anterior.

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