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COP25: Impactos do aquecimento “são muito mais graves do que pensávamos”

O presidente do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas afirmou na abertura da cimeira do clima que “é preciso reduzir as emissões a zero” para conseguir alcançar a meta do aquecimento a 1.5ºC até ao fim do século.
Hoesung Lee, presidente do IPCC. Foto UNclimatechange/Flickr

Na abertura da 25ª Conferência das partes à Convenção quadro das Nações Unidas sobre as alterações climáticas (COP25), que decorre nos próximos dias em Madrid, ouviram-se os alertas por parte da comunidade científica a quem as Nações Unidas confiaram os estudos e projeções para evitar a catástrofe climática.

O presidente deste painel de cientistas apelou aos líderes governamentais presentes para que reduzam as emissões de gases com efeito estufa e se comprometam com a meta de limitar o aumento da temperatura média global a 1.5ºC até ao fim do século, em relação à era pré-industrial. Mesmo cumprindo esta meta, o planeta não estará a salvo de ver aumentar o nível do mar e os fenómenos climáticos extremos que atingirão milhões de pessoas ao longo das próximas décadas. Mas para que isso seja possível, “é necessário reduzir as emissões a zero”, sublinhou Hoesung Lee.

“O nosso trabalho chegou a todos os governos, a todos os lugares, a diferentes setores da economia e aos jovens. Apesar disso, é evidente que não estamos a fazer o suficiente. Estamos a trabalhar para fornecer as provas científicas que vocês precisam”, afirmou o economista sul-coreano que preside ao IPCC.

Apelos como este irão certamente repetir-se ao longo desta cimeira, que contou com a presença de António Guterres na sessão de abertura desta segunda-feira. O secretário-geral da ONU apelou a todos os governos para reverem o seu contributo para as metas climáticas. “Abramos os nossos olhos a esta ameaça iminente. Abramos as nossas mentes à unanimidade da ciência. Não agir seria uma traição a toda a raça humana e a todas as gerações vindouras”, afirmou Guterres, depois de demonstrar o fracasso do caminho feito até aqui por parte dos Estados.

Citando relatórios recentes do IPCC e da Organização Meteorológica Mundial, o secretário-geral das Nações Unidas concluiu que até agora não foi cumprido nada do que os países se comprometeram a fazer na última década para controlar o aumento da temperatura. “Estamos conscientemente a destruir o sistema de apoio que nos mantém vivos”, alertou Guterres, referindo-se ao aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera.

Cimeira Social arranca no sábado, sexta há manifestação

Para a próxima sexta-feira está marcada uma manifestação de movimentos sociais e ambientalistas para reclamar ação por parte dos governos contra as alterações climáticas. Vários coletivos portugueses estarão presentes, tal como o Bloco de Esquerda que está também a organizar a ida a Madrid (inscrições aqui).

No sábado terá início a Cimeira Social, que conta com mais de cem iniciativas organizadas por associações e movimentos de vários países (ver programa provisório). Esta contracimeira conta ainda com exposições e concertos e realiza-se em vários espaços da cidade, como a Universidade Complutense de Madrid ou a antiga sede da central sindical UGT.

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