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Contra a violência machista, o protesto saiu às ruas

Milhares de pessoas participaram nas marchas e concentrações pelo fim da violência contra as mulheres. Em Lisboa, Joana Mortágua defendeu que o combate à impunidade e a aposta na prevenção devem ser prioridades.
Marcha em Lisboa esta sexta-feira. Foto de Ana Mendes.

Para assinalar o o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, esta sexta-feira realizaram-se várias concentrações e marchas pelo fim da violência contra as mulheres em Lisboa, Porto, Braga, Coimbra, Bragança, Viseu, Vila Real e Angra do Heroísmo.  

Na marcha de Lisboa, entre o Largo do Intendente e o Rossio, na faixa de abertura da marcha lia-se "contra a violência machista" e entoaram-se as palavras de ordem "mexe com uma, mexe com todas", "nem uma a menos, vivas nos queremos", ou "a minha luta e todo o dia, somos mulheres e não mercadoria".

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A deputada bloquista Joana Mortágua participou nesta marcha e lembrou as 28 mulheres assassinadas este ano em Portugal, um número "ainda mais assustador quando percebemos que muitas das mulheres que morreram já tinham feito queixa ou já tinham sido vítimas de ameaças, violência e tentativas de homícidio anteriores."

Para Joana Mortágua, "há um problema na sociedade, a violência contra as mulheres decorre do machismo e da sociedade patriarcal, do preconceito contra as mulheres", mas há também "um problema de políticas públicas, de uma estrutura judicial que não está preparada para lidar com este problema com a capacidade que devia ter".

Um exemplo são as secções especializadas para a violência doméstica, "que integram polícia, Ministério Público, as secções judiciais ligadas com a família e menores" e que existem hoje em projeto piloto apenas em cinco secções regionais, mas "funcionam com metade dos funcionários judiciais que deviam ter". Perante o crime de violência de género, "estas secções especializadas seriam uma grande ajuda, mas o Governo não tem investido nela", lamentou a deputada, lembrando que as propostas do Bloco para o Orçamento - programa de combate à violência doméstica e a generalização destas secções especializadas - foram chumbadas pelo PS.

"Não é possível o Governo dizer que prioriza o combate à violência domeéstica e depois não dotar tanto financeiramente como com recursos humanos as instituições que têm responsabiidade de faer este combate e trazer justiça", acrescentou Joana Mortágua.

Quanto às formas de combater a violência de género, Joana Mortágua defende que por um lado é preciso "combater a impunidade", a começar pelos tribunais que "muitas vezes passam esta ideia de impunidade porque desvalorizam a vítima e descupabilizam o agressor". Por outro lado, apostar na  prevenção. "A educação para a igualdade é essencial, os números da violência do namoro são assustadores. Os jovens estão a naturalizar formas de violência - que podem não ser violência física mas outras formas de violência nas relações - que têm a ver com a subjugação das raparigas nas relações e que mais tarde leva a situações de vioência de género", alerta.

"As mulheres não são vítimas de violência doméstica porque são mais frágeis do que os homens. Elas são vítimas de violência doméstica porque em algum lugar há um homem que acha que tem o direito de posse sobre essa mulher e faz refletir de forma violenta esse preconceito. Enquanto não acabarmos com esse preconceito, não acabamos com essa violência", concluiu a deputada, insistindo na necessidade de apostar na prevenção e combater a impunidade.

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