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Consultor do PSD associado a perfis falsos de desinformação nas redes

Uma investigação do Diário de Notícias a uma rede de perfis falsos que lança intoxicação no Twitter e no Facebook coloca o consultor das redes sociais do PSD no centro da trama. O partido diz que “continuará a seguir a mesma linha e as regras aplicadas até aqui”.
Rodrigo Gonçalves na reunião de 26 de abril do Conselho Nacional do PSD. Foto PSD/Flickr

Em 2017, Rodrigo Gonçalves foi um dos protagonistas da reportagem do Observador sobre as lutas pelo poder no PSD/Lisboa e apontado como “um dos caciques com mais peso na capital” por parte do aparelho laranja. Apoiante de Rui Rio, foi contratado como consultor para as redes sociais do partido. Agora, uma reportagem do Diário de Notícias coloca-o no centro de uma rede de perfis falsos que se dedicam a espalhar mentiras e insultos nas redes sociais com a hashtag #Geringonçanuncamais.

Os perfis criados propositadamente para influenciar a campanha eleitoral portuguesa a favor da direita utilizam fotos retiradas de bancos de imagens ou de pessoas reais fora de Portugal e nomes como “Larissa Rossetti”, “Renata Hébil”, “Viviane Azevedo” ou “Andressa Bodião”. Com poucos minutos de intervalo, fazem e partilham as mesmas publicações com a mesma hashtag tendo como alvo o governo e políticos de esquerda.

Os únicos seguidores reais destas contas são figuras ligadas ao aparelho lisboeta do PSD e apoiantes de Rodrigo Gonçalves, como Ângela Cruz, que criou a sua conta no Twitter dois dias antes de serem criadas as dos perfis falsos e começou logo a colocar “gostos” e comentários nestes perfis recém-criados. "Tenho uma conta na rede Twitter, respondo por ela e apenas por ela, desconhecendo por completo quaisquer outras contas uma vez que nada tenho que ver com elas”, disse ao DN a militante do PSD.

Também Rodrigo Gonçalves nega qualquer relação com estas contas falsas que partilham os seus artigos acompanhados de  elogios ao autor e com quem passou a interagir desde a sua criação. “Em nenhuma circunstância e em nenhum momento sugeri a alguém que fizesse alguma conta nas redes sociais”, disse ao DN o consultor das redes sociais do PSD.

Entre os poucos seguidores reais da camanha de perfis falsos #Geringonçanuncamais encontram-se ainda outro ex-assessor da vereação do PSD de Lisboa e ex-vogal da concelhia, Jorge Barata, apontado como um colaborador próximo de Rodrigo Gonçalves. Também o seu pai e ex-presidente da Junta de Freguesia das Avenidas Novas, Daniel Gonçalves, é um seguidor deste grupo de campanha tóxica nas redes, que partilha também publicações de conhecidos stes de desinformação como o Direita Política.

Apesar deste grupo ter pouca influência no Twitter, o mesmo não se passa no Facebook, onde as suas publicações chegam a atingir centenas de interações. Contactada pelo DN, a direção do PSD nega ter conhecimento desta prática de difamação nas redes contra os seus adversários políticos e sublinha que “não só não utiliza esse tipo de práticas, como faz questão de as combater tanto nas redes sociais como na comunicação social”.

“O partido continuará a seguir a mesma linha e as regras aplicadas até aqui, de acordo com os princípios supra enunciados. Nem o PSD nem ninguém tem qualquer poder para evitar o que terceiros possam escrever, contra ou a favor de quem quer que seja”, refere a direção laranja em resposta às perguntas enviadas a Rui Rio.

Bloco de Esquerda é o único partido com código de conduta para campanha nas redes

A proliferação das “fake news” e o risco de intoxicação política da campanha por influência direta ou indireta dos partidos levou o Bloco de Esquerda a apresentar em dezembro um código de conduta do partido para a campanha nas redes sociais. Neste código, o partido compromete-se a produzir diretamente todo o conteúdo da sua comunicação nas redes, não recorrendo a agências externas, à compra de seguidores ou de imagens com identidades falsas, bem como a não organizar intervenção hostil em espaços de adversários políticos nas redes. Até ao momento, quando faltam pouco mais de 24 horas para o arranque do período oficial de campanha eleitoral das eleições europeias, mais nenhum partido anunciou qual serão as regras da sua conduta na campanha nas redes.

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