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Conselho para os Refugiados comemora 30 anos

Criado para defender o direito de asilo em Portugal, em 30 anos “de sobrevivência e subsistência” financeira o Conselho Português para os Refugiados apoiou cerca de 14 mil pessoas a encontrar segurança e liberdade.
A CPR está perante um desafio de sobrevivência financeira. Foto de João Relvas, Lusa.
A CPR está perante um desafio de sobrevivência financeira. Foto de João Relvas, Lusa.

No aniversário dos 30 anos desde a sua fundação, em 1991, a presidente do Conselho para os Refugiados (CPR), Mónica d’Oliveira Farinha, afirmou que o trabalho do conselho nestas três décadas representam “um enorme marco de sobrevivência e de subsistência” e que o organismo conseguiu cumprir o objetivo para o qual foi criado, o de promover e defender o direito de asilo em Portugal, noticia a Lusa.

Recordou que foram apoiados cerca de 14 mil requerentes de asilo e refugiados, criados três centros de acolhimento, um dos quais especificamente para menores não acompanhados, além de terem sido criadas respostas especificas de apoio jurídico, social ou de integração. O CPR foi ainda pioneiro no ensino da língua portuguesa e da alfabetização desta população.

O grande desafio do CPR, disse ainda, foi a constante adaptação à realidade das migrações forçadas, que têm vindo a mudar ao longo dos últimos anos, lembrando que começaram por trabalhar apenas com requerentes de asilo, mais tarde com menores não acompanhados, depois com reinstalados e mais recentemente com os programas de recolocação.

Para Tito Campos e Matos, o CPR está perante um desafio de sobrevivência financeira. “É uma ONG [organização não governamental], não temos fundos próprios, dependemos inteiramente de fundos governamentais ou de projetos europeus e isso tem causado grande desafio num contexto de aumento de pedidos”, apontou. O ideal seria apostar mais num trabalho a longo prazo, ao invés do subfinanciamento crónico face às necessidades, uma realidade que “ainda permanece hoje” e à qual se somou o desafio da pandemia.

“Na prática ainda não sabemos qual vai ser o impacto da covid em termos de restrição de mobilidade, em termos de fecho de fronteiras e de limitações nas viagens, mas aquilo que esperamos é que rapidamente as pessoas retomem a necessidade de migrarem, isto porque os fundamentos que levam à necessidade de migração mantêm-se”, reforçou Mónica d’Oliveira Martins.

Na opinião do casal iraquiano Fadhil Nidhal Sarhan, 30 anos, e Ahad Samer Abid, 33 anos, o acolhimento foi “ótimo” e assumem que a vinda para Portugal não representou uma preocupação porque se sentiram em segurança e em liberdade, depois de mais de seis anos a viver na Turquia, de onde saíram em 2020.

“Estava muito, muito contente, até quando cheguei ao aeroporto. Quando cheguei ao centro [de acolhimento] fiquei muito tranquila, muito contente porque vou conseguir atingir os meus objetivos, uma vida com segurança e liberdade e um futuro para os meus filhos”, recordou Ahad. 

No entanto, Ahad relembra a dificuldade em encontrar trabalho, bem como em garantir o reconhecimento das suas competências. Segundo o vice-presidente do CPR,  “os refugiados que estudaram em outros países têm muitas dificuldades em reconhecer os seus diplomas em Portugal”.

Tito Campos e Matos referiu que, a par do reconhecimento das qualificações, outro problema dentro do processo de integração tem a ver com a habitação, sendo “muito difícil” encontrar residência com condições, apontando também a aprendizagem do português como outra dificuldade, com falta de respostas a nível regional e local.

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