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Conselho Nacional de Saúde quer evitar ambiente de “medo desproporcional” ou de “euforia injustificada”

No dia em que se anuncia o levantamento de algumas medidas de contenção, o Conselho Nacional de Saúde aprovou recomendações ao governo para o próximo período.
Máscara e luvas
Foto Jernej Furman/Flickr

Na reunião extraordinária deste órgão independente de consulta do Ministério da Saúde, liderado pelo presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, Henrique Barros, foi sublinhado “o esforço das pessoas e das instituições que mantiveram as suas atividades durante o período de confinamento, apoiando a sociedade de forma voluntariosa, eficiente e em segurança, dando um contributo decisivo para a resposta à pandemia”.

Mas o ponto forte da ordem de trabalhos deste encontro do Conselho Nacional de Saúde era a atual fase de combate à pandemia da Covid-19 e as medidas que o governo irá anunciar para levantar algumas restrições a que o país se obrigou nas últimas semanas.

Para os conselheiros reunidos esta quinta-feira, esse levantamento “deve ocorrer de forma cautelosa, cumprindo todas medidas de precaução reconhecidamente eficazes para a segurança coletiva”. Acima de tudo, referem, “deve evitar-se um ambiente de medo desproporcional que paralise a sociedade mas também euforia que não se justifica e pode levar a riscos inaceitáveis”.

Para que isso aconteça, é fundamental que o levantamento seja “participado e comunicado de forma transparente à população, informando, responsabilizando e respeitando a autonomia dos indivíduos”, acrescentam as recomendações divulgadas após a reunião.

Para criar um clima de confiança entre a população, bem como a sua atenção “às possíveis limitações que evitem falsas expetativas”, é necessário “o acesso alargado ao diagnóstico e aos rastreios serológicos, acompanhado de uma continuada avaliação do seu desempenho”, prossegue o comunicado do Conselho Nacional de Saúde, destacando aqui a necessidade de tranquilizar a população “quanto à segurança no uso dos cuidados de saúde, nomeadamente na procura de cuidados quer em situações de emergência quer na retoma do agendamento de cuidados”.

Os conselheiros chamam ainda a atenção para a necessidade de reforçar a resposta nos serviços ligados à Saúde Mental, “em relação à qual se prevê um agravamento da situação”. Mas também apelam ao governo para que mantenha para além do prazo do levantamento das medidas de contenção “o apoio financeiro, social e psicológico, para a garantia das condições básicas de vida, nomeadamente para uma alimentação adequada”.

Quanto às empresas e instituições, o Conselho Nacional de Saúde diz que lhes cabe “garantir as condições de segurança no local de trabalho definidas pelas instituições de saúde nacionais e internacionais, disponibilizando equipamentos de proteção individual, distanciamento físico e higiene de superfícies”. Para que isso seja uma realidade, é necessária maior fiscalização nos locais de trabalho. Os conselheiros deixam ainda uma recomendação para que exista uma melhor articulação do poder central com o poder local e as instituições de saúde e apoio social.

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