Em comunicado saído da sua reunião de 13 de abril, disponível na internet, o Conselho Nacional de Saúde (CNS), um órgão consultivo do Governo que é presidido pelo epidemiologista Henrique Barros, salienta que “vê com apreensão a insistência na obrigatoriedade de uso de máscara facial no contexto das escolas e creches”.
O CNS destaca que a obrigatoriedade do uso da máscara “deve ter uma aplicação proporcional” e deve “restringir-se a outros contextos” que não a comunidade escolar, “onde a infeção não tem uma dimensão objetiva que o justifique”. O CNS dá como exemplos de contextos onde o uso de máscara se deve manter os serviços de saúde e “estruturas residenciais para pessoas idosas”.
Quantos alunos vão começar o terceiro período sem aulas por falta de professores?
Este conselho sublinha também que as medidas tomadas no combate à covid-19 devem “também considerar o desenvolvimento e o bem estar das crianças”.
A Lusa refere que o comunicado foi divulgado na sequência da última reunião plenária do CNS, que teve lugar na passada quarta-feira, exatamente no mesmo dia em que a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, defendeu que o uso da máscara deve continuar nas escolas, apontando que o fim do uso da máscara nas escolas "é um risco ainda grande com a transmissibilidade que ainda existe".
Joana Mortágua: “Não se imponha a uma geração um presente sem rosto”
Também na quarta-feira passada, em intervenção na Assembleia da República, a deputada do Bloco de Esquerda Joana Mortágua afirmou: “adotem-se as medidas necessárias de arejamento das salas e distanciamento, protejam-se os alunos mais vulneráveis, mas não se imponha a uma geração um presente sem rosto”.
E justificou: “Estar de máscara na escola não é o mesmo que estar de máscara no centro comercial, porque no reverso do risco de contágio estão danos emocionais, mentais, de desenvolvimento e aprendizagem da fala, leitura e escrita. Está a fadiga, a ansiedade e a falta de concentração, não só de alunos mas também de professores. E, sim, proteger a capacidade de aprender e o desenvolvimento saudável das crianças é mesmo uma questão de saúde e bem-estar”.
A deputada sublinhou ainda que “o uso de máscara nas escolas não é um “pequeno esforço”. Pelo contrário, é um risco que deve ser bem avaliado, porque quanto mais tempo passa mais danos pode causar”.