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Conselho Eleitoral confirma vitória da esquerda nas Honduras

Xiomara Castro torna-se a primeira mulher presidente e o seu partido teve 50,2% mas não vai ter maioria no Congresso. Ainda assim, prometem acabar com o neoliberalismo e combater o conservadorismo e já começaram a reunir com sindicatos e movimentos sociais para o fazer.
Xiomara Castro mostra a credencial que a torna presidente das Honduras.
Xiomara Castro mostra a credencial que a torna presidente das Honduras.

Só passado um mês das eleições hondurenhas aconteceu a credenciação final do resultado. Esta quinta-feira, o Conselho Nacional Eleitoral das Honduras confirmou Xiomara Castro como a primeira mulher a alcançar a presidência do país. Para tomar posse terá de esperar ainda mais quase um mês, até ao próximo dia 27 de janeiro.

A dirigente do partido de esquerda Liberdade e Refundação alcançou cerca de 1,7 milhões de votos contra os 1,2 milhões de Nasry Asfura do Partido Nacional. Ao mesmo tempo foram confirmados os votos para as eleições parlamentares. O Libre, Partido Liberdade e Refundação, teve a maioria dos votos, 50,2%, mas com eles apenas conseguiu 50 lugares no Congresso, aumentando em 20 o número anterior. O seu aliado Partido Salvador das Honduras vai ter dez. Só que juntos não conseguem chegar à maioria. O Partido Liberal obteve 22 lugares e, apesar de ter descido, consegue passar a ser o fiel da balança no Congresso.

Como maior partido da oposição estará o Partido Nacional que elegeu 44 deputados, perdendo assim 17. Nacionalista e neoliberal, tem estado no poder desde o golpe militar de 2009 que destituiu Manuel Zelaya, marido de Xiomara Castro, então líder do Partido Liberal.

Este golpe teve, aliás,m como efeito partir o Partido Liberal e empurrar parte dele para a esquerda. A protagonista da oposição ao golpe tinha sido uma ampla coligação de forças políticas de esquerda e movimentos sociais que depois se tornou a Frente Nacional de Resistência Popular. É a partir dela que se forma o Libre. Definindo-se à esquerda do espetro política e defensor da democracia participativa, declara-se contra o neoliberalismo e as privatizações e a favor do Estado Social, opõe-se ao conservadorismo e é favorável aos direitos LGBT+, ao feminismo, aos direitos dos povos originários e dos trabalhadores. A proposta que derrubou Zelaya, a de Assembleia Constituinte, é uma das suas principais bandeiras.

Xiomara pretende concretizar estes princípio através de um plano de ação para os primeiros 100 dias de governo focado em sete áreas: “emprego, dívida, política fiscal, recuperação económica, empresa nacional de energia, combate à corrupção e ensino público”, o que passa pela reabilitação das escolas e a vacinação das crianças.

Para isso, a Comissão de Transição da sua presidência começou já o diálogo social, recebendo sindicatos, movimentos camponeses, pescadores, reformados grupos indígenas, feministas, migrantes, LGBT+, estudantes entre outros. Sobre o encontro com os sindicatos, o ex-presidente Zelaya, presente como convidado, garantiu que as propostas destes “são o plano de governo de Xiomara” e que combaterão as privatizações.

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