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Congresso espanhol discute combate ao braço mediático da extrema-direita

O modo de atuar dos “pseudo-media” associados à extrema-direita tem perturbado o ambiente de trabalho no Congresso e condicionado o livre exercício do jornalismo. Assessores de imprensa de 12 partidos apresentaram uma queixa formal.
Imagem de www.congreso.es

Segundo avança o Público espanhol, desde o passado mês de setembro, os “pseudo-media” vinculados à extrema direita, como a Edatv, cujo diretor é Javier Negre, condenado em várias ocasiões a retificar notícias por difundir falsidades, ou a recém nascida 7NN, uma televisão que se define como conservadora e católica, têm atuado no Congresso espanhol como uma verdadeira caixa de ressonância dos deputados do Vox.

As pessoas acreditadas no Congresso afetas a estes “pseudo-media” têm perturbado o ambiente de trabalho dos profissionais da comunicação durante as conferências de imprensa, bem como nos corredores desta instituição. O diário espanhol explica que este clima de tensão se intensifica todas as terças-feiras, quando têm lugar as conferências de imprensa dos diferentes representantes dos partidos depois da conferência de líderes.

Frequentemente, as declarações dos porta-vozes, particularmente os de esquerda, nacionalistas e independentistas, têm sido pautadas pela falta de respeito por parte dos “pseudo-media”, seja ela direcionada contra políticos, como também contra jornalistas, o que se tem repercutido no livre exercício do jornalismo.

Assessores de imprensa pedem “medidas necessárias” ao Congresso

Neste contexto, os assessores de imprensa de doze formações políticas - PSOE, Unidas Podemos, ERC, PNV, EH Bildu, Junts, PDCat, Mais País-Equo, CUP, Compromís, BNG e Nova Canárias - remeteram à Secretaria Geral do Congresso um comunicado em que manifestam a sua preocupação face ao comportamento de "algumas pessoas acreditadas".

"Tal comportamento desvirtua as conferências de imprensa e gera um clima de tensão que dificulta o trabalho do resto dos jornalistas que realizam o seu trabalho com profissionalismo. O que deveriam ser audições de atualidade parlamentar estão a converter-se em confrontos ideológicos", escrevem.

Denunciando que este modo de atuação "não está de acordo com o código deontológico nem com os princípios de atuação acordados pelos e pelas profissionais do ramo", os assessores de imprensa dos partidos pedem ao Congresso que tome as "medidas necessárias" com o objetivo de restabelecer o bom funcionamento das conferências de imprensa no Congresso, "sem pôr em risco a liberdade de informação e o bom clima na sala de imprensa que, desde sempre, se vinha produzindo".

Várias associações de profissionais também se pronunciaram. A Associação da Imprensa de Madrid (APM) e a Associação de Jornalistas Parlamentares (APP) emitiram um "apelo a jornalistas e políticos para que desenvolvam as suas relações num clima de respeito mútuo".

Cristina Segui acusada de intimidar representantes políticos

Os momentos de tensão vividos nos últimos meses no Congresso não são inéditos. Na Comunidade Valenciana, por exemplo, Cristina Segui, colaboradora da Edatv e cofundadora do Vox, "entorpece o trabalho parlamentar" nas Cortes e "intimida" representantes políticos, como é o caso da vice-presidente e porta-voz do Governo valenciano, Mónica Oltra.

No artigo Cristina Seguí. Quem é a “influencer” da ultradireita espanhola que virou a mira das teorias conspirativas para Portugal?, publicado pela revista Visão em outubro, Seguí é descrita como "amplificadora de teses conspirativas e 'fake news'", que começou a visar figuras portuguesas nos seus comentários diários, incluindo num canal de Youtube.

Numa publicação na rede social Twitter, datada de novembro, e partilhada por André Ventura, Cristina Seguí acusou Mariana Mortágua de receber dinheiro do BES, o que levou a deputada bloquista a apresentar uma queixa por difamação contra a "influencer" e o líder do Chega.

Decorrem também na Justiça processos relativos a queixas-crime apresentadas por Pedro Filipe Soares, Marisa Matias e pelo Bloco de Esquerda contra Cristina Seguí. Em causa está uma publicação, de outubro, com afirmações falsas, injuriosas e caluniosas, sem qualquer base factual nem provas. A “influencer” associa o Bloco de Esquerda, os dois dirigentes já citados, bem como Francisco Louçã e, inclusive, o eurodeputado Miguel Portas, falecido em abril de 2012, a uma rede fictícia de financiamento e lavagem de dinheiro que envolveria países como Cuba e Venezuela.

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