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Condutores de comboios exigem suspensão automática de funções após acidentes ou colhidas

Nos últimos cinco anos, todas as semanas há registo de, em média, mais do que uma colhida nas linhas férreas. O Sindicato que representa os condutores de comboios também quer ver garantido o apoio externo contínuo destes trabalhadores.
Foto via facebook do Sindicato dos Maquinistas.
Foto via facebook do Sindicato dos Maquinistas.

Atualmente, após uma colhida, os maquinistas têm de pedir à administração da empresa para serem retirados temporariamente da condução dos comboios. Algo que, para o Sindicato dos Maquinistas (SMAQ), não faz sentido.

A estrutura que representa os maquinistas pede não só que a suspensão de funções passe a ser automática, mas também que se garanta o acompanhamento independente destes trabalhadores.

Ao DN/Dinheiro Vivo, o presidente do SMAQ, António Domingues, assinalou que "após uma colhida ou acidente, todos os operadores ferroviários preveem que o maquinista possa solicitar um apoio psicológico. Só que esse acompanhamento não é independente da vontade do trabalhador". "Por causa disso, deve ser retirado automaticamente da condução logo no dia seguinte", continuou.

Na Comboios de Portugal, estes incidentes são considerados acidentes de trabalho desde 2014. Mas não estão abrangidos todos os trabalhadores envolvidos numa colhida, reconhecem fontes oficiais ao DN/Diário de Notícias.

A empresa diz garantir “consultas adequadas de psicologia e/ou psiquiatria, submetendo-se os trabalhadores a observação e apreciação” clínica.

Por seu lado, na Fertagus existe "um procedimento interno que determina que os maquinistas envolvidos nestes episódios sejam de imediato retirados da condução e avaliados pela respetiva chefia".

Na Medway, concessionária do transporte de mercadorias, as tripulações são encaminhadas para uma "consulta de avaliação médica", por um especialista, e os trabalhadores "cumprem prescrição/tratamento adequado ao seu quadro clínico, incluindo apoio psicológico".

Em declarações ao jornal, António Domingues confirma que o acompanhamento dos maquinistas melhorou. Antigamente, "as colhidas aconteciam e os trabalhadores continuavam a trabalhar como se fossem super-homens", o que, nos casos mais graves, poderia “transformar-se numa doença mental”, incapacitando os maquinistas para estas funções.  

Por isso, defende a criação de um gabinete de avaliação contínua externa destes condutores. "Este gabinete deve estar sempre disponível porque o stress resultante destas situações pode não vir no dia a seguir mas só semanas ou meses depois da ocorrência."

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