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Compradores dos prédios da Fidelidade têm capital social de 100 euros

Quatro empresas registadas na Madeira sevem de veículo ao fundo Apollo para adquirir os imóveis por 425 milhões. Lei do Bloco para garantir direito de preferência dos inquilinos vai a votos dia 18.
Foto de Paulete Matos.

Segundo revela a edição desta terça-feira do jornal Público, a venda dos imóveis da seguradora Fidelidade, que ameaça colocar numa situação de despejo mais de duas mil famílias, será feita a quatro sociedades por quotas com um capital social de 100 euros cada.

Estas sociedades — a Notablecategory, a Fragranstrategy, a Meritpanorama, e a Neptunecategory — foram criadas na Madeira e as sedes transferidas recentemente para Lisboa, tendo sidonomeados administradores comuns, residentes no Luxemburgo, adianta o Público.

A venda das 2085 fracções residenciais da Fidelidade foi feita sem assegurar o direito de preferência de cada inquilino a poder comprar a casa que arrenda. Aproveitando uma lacuna na lei, a seguradora chinesa e o fundo norte-americano apenas conferiram o direito de preferência em relação à totalidade dos imóveis, pelo valor de 425 milhões de euros. Os inquilinos que têm contratos com termo em breve já começaram a receber as cartas de não renovação dos seus contratos.

Por causa da situação precária dos inquilinos da Fidelidade, a votação parlamentar da proposta do Bloco de Esquerda para suprir esta lacuna legal foi antecipada em relação às restantes propostas sobre arrendamento. Graças a este consenso obtido em São Bento, a proposta bloquista para garantir aos inquilinos o direito de preferência em caso de venda do local arrendado será votada já a 18 de julho.

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