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Como as crianças migrantes são exploradas nas fábricas dos EUA

Da mão de obra que fabrica algumas das mais conhecidas marcas norte-americanas fazem parte crianças migrantes. Uma reportagem do New York Times mostra como muitas trabalham longas horas em trabalhos duros.
Crianças migrantes na fronteira México/EUA. Foto de Abraham Pineda Jácome/EPA/Lusa.
Crianças migrantes na fronteira México/EUA. Foto de Abraham Pineda Jácome/EPA/Lusa.

Depois de quase um ano de investigação em vinte estados norte-americanos, Hannah Dreier, uma jornalista do New York Times, publicou uma reportagem sobre a exploração de “milhares” de crianças migrantes que trabalham durante “longas horas” em trabalhos duros.

Ao longo deste trabalho, processou as autoridades do país por demorarem a divulgar informação sobre os registos destas crianças, fez inúmeras “esperas” à porta das fábricas nas saídas dos turnos e falou com mais de uma centena delas.

A jornalista lembra que, apenas em dois anos, 250.000 crianças entraram sozinhas nos EUA. Para ela, seria “suposto” que o Governo as colocasse em lares com adultos “confiáveis”, mas uma “maioria” tem sido entregue “a parentes distantes, conhecidos ou até estranhos”, uma vez que os seus pais não conseguiram entrar no país.

Desfiando a meada, a partir de algumas crianças migrantes que tinham aulas de inglês como segunda língua, em Grand Rapids, Michigan, começou por descobrir que trabalhavam numa fábrica que produzia cereais para a conhecida marca Cheerios da General Mills. Tal não era nenhum segredo na zona, e as publicações de algumas delas nas redes sociais deixavam isso claro. Só que estava longe de ser notícia num grande jornal mundial.

Depois, voltou a encontrar crianças, na maior parte vindas da América Central, noutras fábricas perto que trabalhavam para a Hearthside Food Solutions. E assim por diante, uma “força de trabalho sombra que se estende por indústrias de cada estado, desrespeitando as leis contra o trabalho infantil em vigor desde há quase um século” e que “tem crescido lentamente desde há uma década mas que explodiu desde 2021”.

Os relatos são de “exaustão” em fábricas, lavandarias comerciais, distribuição de refeições, entre outros trabalhos pesados. Os seus professores de inglês foram confirmando ser “comum” que “quase todos os seus alunos saiam à pressa para longos turnos depois das aulas acabarem”. Muitas das marcas conhecidas do país beneficiam do trabalho infantil, apesar de não estarem nele diretamente implicadas. Caso da Pepsi, Walmart, Target, General Motors ou Ben and Jerrys’s.

Face à publicação da reportagem, o governo de Biden veio garantir que iria reforçar controlos para proteger menores. Um grupo de democratas considera isso pouco e exige ações nas empresas e controlo das famílias de acolhimento.

Por sua vez, as autoridades de trabalho dos EUA vieram explicar, conta a RFI, que tentam privilegiar a rapidez nos processos em detrimento de alguns controlos obrigatórios de forma a não colocar os menores nos centros de acolhimento que estão sobrelotados. No último ano fiscal, o ministério do Trabalho dos EUA identificou 835 nas quais trabalharam cerca de 3.8000 crianças, uma detetaram uma subida de 26% do número das que têm trabalhos perigosos.

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