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Comissão de Inquérito aprova relatório de João Semedo

Documento contará com os votos favoráveis de todos os partidos, excepto do PS. José Manuel Pureza destaca grande consenso e diz que relatório alerta para a promiscuidade perversa entre poder político e mediático.
O deputado João Semedo lê as conclusões do relatório da comissão parlamentar de inquérito ao caso TVI, em 11 de junho de 2010. Foto de TIAGO PETINGA / LUSA

A Comissão de Inquérito Parlamentar sobre a actuação do Governo na compra da TVI aprova esta sexta-feira o relatório elaborado pelo deputado João Semedo, do Bloco de Esquerda. O relatório contará com os votos favoráveis de todos os partidos, excepto o PS. O PSD, que vinha mantrendo suspense em relação à sua posição, deixando em aberto a possibilidade de se abster, anunciou na noite de quinta que aprovaria o relatório, garantindo assim a sua aprovação.

O PSD justificou o voto favorável dizendo que o relatório vai “no caminho correcto e adequado” do apuramento da verdade. O deputado Pedro Duarte, coordenador do PSD na comissão de inquérito, disse que a decisão de votar a favor “foi consensual e unânime”.

Questionado pelos jornalistas, Pedro Duarte afastou, porém, a possibilidade de o seu grupo parlamentar apresentar uma moção de censura ao governo com base nas conclusões do relatório: “As conclusões, indiciando factos manifestamente graves, não são suficientemente categóricas que sustentem uma consequência institucional dessa natureza”, afirmou.

Sócrates conhecia o negócio

O relatório conclui que José Sócrates tinha conhecimento da tentativa de aquisição da TVI, quando disse na AR que não sabia do negócio, e que o governo interveio por duas vezes, uma delas deixando prosseguir a operação e outra pondo-lhe fim sem dela ter tido “informação oficial” por “razões políticas do seu exclusivo interesse”. O relatório situa as tentativas de aquisição num contexto em que “a linha editorial da informação produzida pela TVI e, em particular, o Jornal Nacional de Sexta apresentado pela jornalista Manuela Moura Guedes, eram alvo de críticas públicas, recorrentes e contundentes, por parte do primeiro ministro, membros do Governo e dirigentes” do PS.

Grande consenso”

José Manuel Pureza, líder parlamentar do Bloco de Esquerda, saudou “o grande consenso que se formou nesta Assembleia da República em torno do relatório elaborado pelo deputado João Semedo, isso dá conta de que as conclusões que este relatório contém são conclusões em que se reconhecem a generalidade das forças partidárias presentes nesta Assembleia, com a exclusão do PS”, observou.

Para o deputado bloquista, “este relatório alerta muito para a promiscuidade perversa entre poder político e mediático e, portanto, as nossas conclusões são as de que a comissão não foi tão longe quanto poderia ter ido, por uma série de inibições trazidas por alguns depoentes ao trabalho da comissão”.

O PS apresentou ao relatório emendas que eliminm todas as conclusões, com o intuito de “apagar verdades incontornáveis e devidamente provadas pela CPI”, na opinião de João Semedo.

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