Está aqui

Começa hoje uma nova era da Berlinale

O festival internacional de cinema de Berlim tem uma nova direção e a reestruturação integrou mais mulheres na direção das secções. A 70ª edição do festival tem menos filmes, mas mais diversidade.
Começa hoje uma nova era da Berlinale
Welket Bungué no filme "Berlin Alexanderplatz" do Burhan Qurbani. Filme é um dos candidatos ao Urso de Ouro.

Até 1 de março o festival internacional de cinema de Berlim marca a sua 70ª edição com menos filmes, mas “mais espaço para a diversidade”, anunciam os diretores Mariette Rissenbeek e Carlo Chatrian.

Entre os candidatos ao prémio Urso de Ouro estão os filmes “Todos os mortos”, produção brasileira dirigida por Caetano Gotardo e Marco Dutra, em que participa a atriz portuguesa Leonor Silveira, e “Berlin Alexanderplatz”, do realizador alemão Burhan Qurbani, protagonizado pelo luso-guineense Welket Bungué.

Na competição Encounters terá lugar a estreia mundial de “A Metamorfose dos Pássaros” de Catarina Vasconcelos. Já o “Quantum Creole” (“Crioulo Quântico”) uma coprodução alemã, francesa, portuguesa e espanhola, de Filipa César, será apresentada no Forum Expanded.

O Berlinale Talents conta com três portugueses: a designer de som Joana Niza Braga (“Variações”, “Colour Out of Space” e “Free Solo”, este último vencedor do Óscar para Melhor Documentário em 2019), o realizador e argumentista José Magro (“Viagem”, “Letters from Childhood” e “Rio entre as Montanhas”), e o realizador e editor Paulo Carneiro (“Bostofrio”).

Nos 18 filmes da competição oficial, apenas 6 são realizados por mulheres, um número inferior à edição de 2019. Porém, depois de uma grande reestruturação do festival, a maioria das secções são dirigidas por mulheres.

Nas semanas que antecederam o arranque do festival, a Berlinale esteve nas notícias quando uma investigação descobriu as ligações de Alfred Bauer, fundador do festival, ao partido nazi. O jornal alemão Die Zeit fez saber que Bauer ocupou um cargo de topo no partido nazi. Como consequência, o seu nome foi retirado da edição de 2020.

A disputar o Urso de Ouro estão, entre outros, filmes que recordam o genocídio no Camboja ("Irradiés", de Rithy Panhe) e a escravatura no Brasil ("Todos os Mortos"), faz saber a Lusa.

"The Woman Who Ran", do coreano Hong Sangsoo, "Effacer l'historique", produção franco-belga de Benoît Delépine e Gustave Kervern, "Days", do realizador de Taiwan Tsai Ming-Liang, "The Roads Not Taken", da britânica Sally Potter (com Javier Bardem, Elle Fanning, Salma Hayek e Laura Linney), e "There Is No Evil", do iraniano Mohammad Rasoulof, são alguns dos filmes da competição oficial, todos eles em estreia mundial.

Termos relacionados Cultura
(...)