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Comandos: Mais instrutores acusados de agressões

Quatro instrutores dos comandos estão a ser acusados de agressões num processo que diz respeito a outro curso para além daquele em que morreram Dylan da Silva e Hugo Abreu, caso que tem 19 militares já em julgamento.
Comandos. Foto EMGFA.
Comandos. Foto EMGFA.

O Público revela a existência de mais quatro instrutores dos comandos, dois sargentos e dois cabos, acusados por ofensas à integridade física num total de 14 crimes. Estes, “atuaram com vontade de satisfazer instintos sádicos querendo fazer sofrer as suas vítimas”, segundo Josefina Escolástica Fernandes, procuradora do Departamento de Investigação e Ação Penal.

Um deles já está a ser julgado desde 2018 num processo que terá as suas alegações finais em maio. É um dos 19 acusados de estarem implicados nas agressões na primeira prova do 127º curso de comandos, ocorrida a quatro de setembro de 2016, em que Dylan da Silva e Hugo Abreu morreram e os outros seus colegas tiveram de ser internados. A procuradora Cândida Vilar diz que agiram com “manifesto desprezo pelas consequências gravosas que provocaram nos ofendidos” e que "os princípios e valores pelos quais se regem os arguidos revelam desrespeito pela vida, dignidade e liberdade da pessoa humana, tratando os ofendidos como pessoas descartáveis".

As vítimas do novo caso são sete instruendos que se queixaram de agressões que resultaram num tímpano furado, caso ao qual não dada assistência médica, para além de um chicoteamento com uma silva, pontapés, chapadas. Um instrutor terá batido “por diversas vezes e sem motivo que o justificasse com a cabeça dos instruendos no solo até que houvesse sangue”. Noutro caso, um instruendo foi asfixiado com uma presilha à volta do pescoço até desmaiar.

Estas ações terão causado, na versão da acusação, “sofrimento extremo e sequelas irreversíveis e incapacitadoras do normal uso do corpo”. Um dos agredidos ficou com um desvio permanente da cana do nariz, para além de várias cicatrizes no corpo.

O mesmo jornal indica que há outro curso, o 125º, de outubro de 2015, que também está a ser alvo de investigação do DIAP. Este caso tem três arguidos.

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