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Coligação sindical internacional exige ação contra assédio sexual na McDonald's

Há anos que os sindicatos alertam, mas a McDonald's não tomou medidas para resolver o problema a nível global. Há denúncias de assédio e violência de género em restaurantes da Austrália, Brasil, Chile, Colômbia, França, Reino Unido e Estados Unidos, entre outros países.
Marcha de trabalhadoras da McDonald's e faixa com a frase: “McDonald's: assédio sexual é inaceitável” - Foto iuf.org
Marcha de trabalhadoras da McDonald's e faixa com a frase: “McDonald's: assédio sexual é inaceitável” - Foto iuf.org

A IUF (federação internacional de sindicatos de alimentação, agricultura, hotelaria, restaurantes, catering, tabaco e afins) e a Federação Europeia de Sindicatos da Alimentação, Agricultura e Turismo, em coligação com a SEIU (federação dos trabalhadores dos serviços, que tem 1,9 milhões de filiados no Canadá e nos EUA) e a União Geral dos Trabalhadores (UGT) do Brasil, denunciaram o assédio sexual na McDonald's a nível global e exigem ações para o combater.

Segundo o jornal “Público”, que participou na conferência de imprensa dada pelos sindicatos, esta é a primeira vez que é apresentada uma denúncia junto de um Estado-membro da OCDE contra uma empresa multinacional.

Na conferência de imprensa, a secretária-geral da IUF, Sue Longley, afirmou que os trabalhadores denunciam há anos o assédio sexual e a violência de género em restaurantes da McDonald's em vários países, mas a empresa a nível global “não tomou medidas significativas para resolver o problema".

Segundo o jornal, os sindicatos referem que foi detetado “um padrão de assédio sexual e violência de género na McDonald's em sete países, variando de comentários obscenos à agressão física, sem que a empresa tenha tomado qualquer tipo de acção efetiva e eficaz para conter ou impedir esses abusos”.

Nos EUA, há denúncias de dezenas de casos de assédio na McDonald's, indo desde “toques indesejados”, “exposição indecente”, “ofertas sexuais” a “tentativas de violação”. Em França, o gerente de um restaurante montou uma câmara de vídeo no vestiário feminino.

O presidente da UGT Brasil, Ricardo Patah denunciou que 25 casos chegaram ao Ministério Público do Paraná, incluindo também discriminação racial. “A maior parte destas pessoas são trabalhadores simples, alguns menores de idade, de famílias muito simples, que muitas vezes se submetem a situações vexatórias e graves por não terem o que comer em suas casas”, disse.

Kristjan Bragason, secretário-geral da Federação Europeia de Sindicatos da Alimentação, Agricultura e Turismo, considerou que o assédio sexual é um problema endémico na indústria da restauração e denunciou: “a McDonald's é a maior cadeia de restaurantes a operar na Europa e essa é a razão por que achamos que é importante tratar desta questão com eles”.

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