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Coelima pede insolvência e deixa 250 postos de trabalho em risco

A empresa têxtil apresentou o pedido após quebra de vendas superior a 60%, devido à pandemia, e pretende avançar com um plano de recuperação. Sindicato foi apanhado de surpresa e vai realizar plenários a partir da próxima segunda-feira.
Coelima pediu insolvência - Foto maisguimaraes.pt
Coelima pediu insolvência - Foto maisguimaraes.pt

“A empresa decidiu avançar com o pedido de insolvência, fruto da situação criada pela pandemia, que provocou uma forte redução das vendas e uma pressão sobre a tesouraria insustentável”, declarou uma fonte da empresa à Lusa.

A empresa, que tem 250 trabalhadores, pretende apresentar um plano de recuperação aos credores, no prazo de 30 dias. A Coelima celebra 100 anos em 2022 e integra atualmente o grupo MoreTextile, resultante da fusão com a JMA e a António Almeida & Filhos e cujo acionista principal é o Fundo de Recuperação gerido pela ECS Capital.

A Coelima diz que a pandemia "provocou uma quebra das vendas superior a 60%" e que apresentou candidaturas aos apoios das linhas de crédito covid, mas "que até à data não foram aprovadas".

Notícia caiu como "uma verdadeira bomba"

O presidente do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes, Francisco Vieira, disse à TSF que a notícia caiu junto dos trabalhadores como “uma verdadeira bomba”.

Um dos trabalhadores declarou ao “Jornal de Notícias”: "Acabamos de saber, é uma surpresa, mas já se percebia que era uma questão de tempo porque estão a desmantelar isto há muito".

Francisco Vieira responsabiliza o presidente do conselho de administração da Coelima, Artur Soutinho, pela situação da empresa. "Eu próprio lhe perguntei se vinha com a posição de coveiro, porque estava a fazer tudo ao contrário", disse à TSF.

À Lusa, o dirigente sindical afirmou: “Na segunda-feira vamos partir para a realização de plenários para informar e envolver todos os trabalhadores. Se for necessário sair à rua, temos uma enorme experiência nessa frente e não está descartada nenhuma possibilidade. Mas espero que não seja necessário”.

“Espero que termine tudo em bem. Tal como no passado, hoje e sempre estaremos na linha da frente da continuidade da empresa e dos postos de trabalho. Desde que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados, nomeadamente o emprego, os direitos, o tempo de permanência na empresa, não haverá nenhum ruído”, disse ainda o presidente do sindicato, que confirmou que “neste momento não há dívidas” aos trabalhadores.

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