Está aqui

Teu nome, Socialismo, por Miguel Portas

O propósito: quatro observações soltas que visam contribuir para o debate suscitado pela e sobre a Perestroika, entre aqueles que continuam a reclamar o seu lugar à esquerda e se não renderam a julgamentos apressados sobre a falência de tudo quanto cheire a comunismo e a socialismo. Artigo de Miguel Portas publicado na revista "Combate" e republicado no livro "Malhas que a Memória Tece".

Há quem condicione a avaliação da Perestroika ao seu destino. O que é realmente a Perestroika? Uma câmara de passagem para a restauração do capitalismo? A trágica repetição de mais um conjunto de reformas a serem recolocadas na gaveta pelo restabelecimento de uma ordem autoritária que se reclame do socialismo? Ou o fio da navalha por onde ainda será possível caminhar em direcção a um regime social de inspiração socialista assente num regime político democrático?

Ninguém pode prever ao certo. Até porque a Humanidade está a atravessar um período de convulsões e transformações sem paralelo e, de momento, provisórias.

Em todo o caso, e este é o sentido da primeira observação, a razão da Perestroika é independente do seu destino. Os homens fazem a História, respondendo a necessidades. Quanto ao resto, eles lutam entre si por possibilidades.

Admitamos a possibilidade de uma restauração capitalista na URSS: ela constituiria, é óbvio, um forte retrocesso das causas emancipadoras. Mas tal restauração deveria levar à conclusão de que a Perestroika não se devia ter iniciado?

Adoptar como critério da verdade não a práxis mas os resultados tomados enquanto tal, é um velho hábito que invadiu amplos sectores da esquerda.

Com efeito, o mesmo critério leva hoje boa parte da historiografia soviética a questionar a razão da própria revolução de Outubro. E registe-se a coincidência: entre aqueles que aprenderam a História nas vulgatas estalinistas e nelas se habituaram a descobrir a linha justa dos movimentos históricos, estão muitos dos que hoje admitem ter sido Outubro um erro histórico. Como erro histórico terá sido a sua militância comunista. Como razão histórica tinha a II Internacional. E etc., etc.

A persistência da cultura estalinista nos movimentos de trasladação política é fenómeno conhecido. No caso vertente, traduzir-se-ia em afirmar que foi Outubro quem fez Estaline. Ou, deduzindo pela inversa, que Estaline nunca teria existido sem Outubro. Como se a História se fizesse com ses e a Rússia não tivesse uma vasta tradição de impulsões modernizadoras na ponta do chicote.

É verdade que a propaganda comunista e posteriormente a ideologia oficializada identificaram a revolução de Outubro como revolução socialista. Mas esta é uma interpretação que, à luz da teoria, só é aceitável concebendo a revolução russa como processo, e no contexto do início da revolução à escala internacional.

Com efeito, e devido ao carácter atrasado da Rússia, era consensual entre os teóricos bolcheviques a dupla missão da revolução: levar as tarefas da revolução democrática-burguesa até ao fim e abrir caminho para o socialismo.

A novidade introduzida na ortodoxia marxista até então reinante era, a este título, de monta: uma revolução proletária era necessária na Rússia para completar o que a burguesia atolada na guerra, se mostrava incapaz de concluir.

Desta originalidade, decorrente, aliás, de outra, segundo a qual a revolução se poderia iniciar «pelos elos mais fracos da cadeia imperialista» devido à situação de guerra generalizada, resultava um problema inteiramente novo: como chegar ao socialismo num país atrasado?

No início dos anos vinte, a resposta assentava na extensão da revolução aos países de capitalismo desenvolvido e no reconhecimento de que «o regime soviético atravessa uma fase preparatória na qual importa, assimila e serve-se das conquistas técnicas e culturais do Ocidente (...) esta fase deverá durar todo um período histórico» (1).

A digressão por Outubro tem apenas uma intenção: independentemente da terceira revolução - a que nos anos 30 colectivizaria o conjunto da economia e fundaria um sistema específico de poder e dominação – Outubro foi a resposta disponível pela sociedade russa para a simultaneidade de três problemas: vontade de paz, reforma agrária em benefício dos camponeses e arranque da industrialização.

Independentemente dos seus destinos ulteriores, a revolução de Outubro impulsionou a modernização da URSS e constituiu, durante muitos anos, uma formidável força propulsora dos combates progressistas no Mundo.

PERESTROIKA: UMA REVOLUÇÃO TARDIA

Também a Perestroika foi a resposta possível da sociedade soviética ao progressivo esgotamento de um modelo de civilização — vulgarmente apelidado de socialismo real.

É óbvio que a sociedade ainda funcionava. Funcionava mal, mas funcionava. A sua crise era larvar e estava economicamente diagnosticada: tentativas de reforma no interior do sistema foram ensaiadas nas décadas de 60 e 70 em praticamente todos os países do COMECON. Elas partiam de uma dupla constatação.

Por um lado, a perda de eficácia do planeamento de comando central em economias globalmente muito estatizadas. A crise era mensurável na diminuição do crescimento dos principais indicadores económicos com destaque para os níveis de produtividade.

Por outro lado, a dificuldade cada vez maior em acompanhar o desenvolvimento técnico e científico dos países de capitalismo avançado, num quadro de confrontação político-militar entre blocos.

A inovação que o «novo pensamento» de Gorbatchov vem introduzir na suficiência comunista instalada é simples: as reformas económicas falharam porque a crise era global e só poderia ser atalhada através do restabelecimento dos direitos democráticos dos cidadãos e da assunção da interdependência em que o mundo vive. Que é como quem diz: o planeamento de comando central, apesar dos métodos empregues, permitiu até aos anos 60 recuperar boa parte do atraso histórico da URSS. Mas a invenção da máquina de fotocópias, dos PC's e restante panóplia comunicacional determinam a impossibilidade de um desenvolvimento sustentado sem a livre circulação de ideias e informações.

A «estagnação» poderia ainda ter-se aguentado um bom par de anos. Mas não tinha qualquer futuro. Nem o socialismo que desse modelo se reclamasse. Com efeito:

«O socialismo não se poderia justificar unicamente pela supressão da exploração. É necessário que também assegure à sociedade muito maior economia de tempo que o capitalismo. Se esta condição não fosse preenchida, a abolição da exploração não passaria de um dramático episódio desprovido de futuro» (2).

Uma das dificuldades com que a Perestroika se defronta é o de ter arrancado com ano de atraso. E o «azar» da Checoslováquia, o de ter tido razão antes de tempo.

INTERDEPENDÊNCIA E «SOCIALISMO NUM SÓ PAÍS»

Falando claro: que significa assumir a «interdependência«? Significa, desde logo, reconhecer que a ordem económica mundial é única — e obviamente capitalista. Pode e deve combater-se tal ordem e reivindicar evoluções significativas na sua arquitectura - a chamada Nova Ordem económica. Pode restringir-se a influência da lei do valor na produção e distribuição de um conjunto de bens sociais. É ainda possível utilizar os instrumentos da política económica em benefício das classes trabalhadoras. Só não é possível sustentar, como se sustentou, a fantasia da existência de uma economia mundial do socialismo, harmoniosa e hermeticamente separada da «outra» economia. Para lá das razões que se prendem com a «assimilação» das conquistas do capitalismo avançado, outro factor impedia a durabilidade de tal teoria, forçada pela guerra fria: é que o esforço de defesa e armamento, ainda razoavelmente compatível com o estabelecimento da indústria pesada, corrói por dentro qualquer desenvolvimento que tenha por objecto primordial a satisfação das necessidades humanas.

Com o gosto que se lhe reconhece pelas profecias, Trotsky escrevia em 1936:

«Quanto mais tempo estiver a URSS cercada de capitalismo, tanto mais profunda será a degenerescência nos tecidos sociais. Um isolamento indefinido deverá trazer indefinidamente, não o estabelecimento de um comunismo nacional, mas a restauração do capitalismo» (3).

Até porque:

«O papel progressista da burocracia soviética coincide com o período de assimilação (...). Quanto mais este avançar, maior será o choque contra o problema da qualidade. Na economia nacionalizada, a qualidade supõe a democracia dos produtores e dos consumidores, a liberdade de crítica e de iniciativa, tudo isto incompatível com o regime totalitário do medo, da mentira e do panegírico» (4).

Estas citações remetem indirectamente para uma das mais desgraçadas polémicas dos anos 20: A «Esquerda» do Partido bolchevique invectivava o «Centro» e a «Direita» porque estes admitiam a «possibilidade do socialismo num só país». Como todas as polémicas teóricas envenenadas pela disputa política, as coisas não eram bem assim. De facto, o conjunto da liderança soviética ligou até 1923 a sorte da Revolução Russa ao destino da revolução da Europa, em particular na Alemanha. Não apenas por ser inconcebível o socialismo num país atrasado. A guerra civil e o cerco das potências capitalistas durante os três anos que durou o «comunismo de guerra» mais não fizeram do que acentuar o dilema: «A revolução russa será salva pelo proletariado internacional ou afundar-se-á sob os golpes do capitalismo mundial». A História posterior negaria os termos do dilema político-militar sintetizado por Bukharin. Mas colocaria os revolucionários russos perante a tarefa bem menos heróica de saberem o que fazer a um país onde «a ruína das forças produtivas ultrapassou tudo quanto a História conhecia» (5), num contexto de fracasso generalizado das insurreições e levantamentos na Europa.

Foi neste cenário pouco épico que nasceu a NEP - Nova Política Económica. Inicialmente admitida como um recuo temporário, rapidamente adquirirá, ainda em vida de Lenine, os contornos de uma política de médio prazo, embora de regulação e velocidade variáveis.

Mas o acentuar da vertente «reconstrução nacional» não leva a admitir que Lenine ou Bukharin, no plano da teoria, alguma vez tivessem sustentado a possibilidade da vitória do «socialismo num só país». Em plena época de combate antitrotskista, Bukharin sublinhava:

«Nós podemos construir o socialismo, mesmo sobre uma base técnica atrasada (...). Avançaremos a passo de tartaruga (...) mas não falharemos a empresa. Entretanto a vitória final do socialismo não é possível no nosso país sem a ajuda de outros países e sem a revolução mundial» (6).

O desacordo não incidia sobre a teoria. Bukharin utilizou a expressão «socialismo num só país» como consigna política, tal como Lenine definiu o comunismo como «os sovietes mais a electrificação». O líder da «Direita», convencido da recomposição do capitalismo internacional, procurava uma ideia mobilizadora para um largo período histórico – o passo de tartaruga. Era sobre políticas concretas a impulsionar que os desacordos efectivamente incidiam. A incorporação na teoria oficial dessa versão reduzida da «economia mundial do socialismo» terá um responsável maior: Estaline.

Concluída a digressão, sobra a interrogação: admitindo a impossibilidade do «socialismo num só país», que perspectiva mobilizadora podem ter as forças socialistas que não passem a vida a sonhar com a revolução mundial? A de lutarem por regimes democráticos de inspiração socialista que subordinem o desenvolvimento a uma lógica não capitalista, de «transição». E que, simultaneamente procurem arrancar ao imperialismo, na ordem internacional, ganhos efectivos em benefício dos povos e nações com menos recursos. Neste contexto, escusado será insistir na importância estratégica que teria a vitória das correntes de inspiração socialista na URSS.

MERCADO E BUROCRACIA

Não existe incompatibilidade entre a perspectiva de um «desenvolvimento não capitalista» e o marxismo. Por junto e atacado, o «não-capitalismo» é o caminho possível em direcção ao socialismo, no pressuposto de um poder político maioritariamente sufragado (mesmo que inicialmente legitimado revolucionariamente, no caso de ditaduras), onde as tendências socialistas façam sentir o seu peso. O «não-capitalismo» é, simplesmente, uma transição de regulação e velocidade variáveis, condicionado pela expressão da vontade popular.

É possível desenvolver políticas de inspiração socialista no quadro nacional por períodos históricos mais ou menos longos. Elas serão tanto mais possíveis, quanto a ordem económica internacional seja forçada a fazer concessões aos países menos desenvolvidos e os recursos deixem de ser aplicados em despesas militares e burocráticas.

O «não-capitalismo» trava efectivamente um combate desigual com a ordem capitalista. Porque o combate é desigual, a questão da base social de apoio às políticas de inspiração socialista - portadoras do multifacetado leque das causas emancipadoras - é decisiva.

O «não-capitalismo» é o passo de tartaruga Bukhariniano. No plano económico significa economia mista, planeamento não burocrático e mercado. O «não-capitalismo» é uma política de «reformas fortes» no quadro de sociedades que são ainda mais burguesas que socialistas ou que voltaram a ser mais burguesas que socialistas. A diferença face ao reformismo histórico, reside na ideia de que tais reformas não existem para «adaptar» o sistema, mas para o superar. Sendo verdade que - admitindo-se a vontade popular como determinante do modo e do ritmo — o risco de reversão existe sempre.

O «não-capitalismo» - assente na combinação das forças progressistas no poder político com o exercício da cidadania pelas forças sociais mais dinâmicas da «sociedade civil» - tem por adversário não apenas as tendências capitalistas como a burocracia. Esta é uma razão suplementar para a existência do mercado. Com efeito, Trotsky tinha razão quando explicitava os factores do reforço do estado soviético, ao contrário das profecias da teoria:

«Não são os restos, em si próprios impotentes, das classes outrora dirigentes, que impedem o Estado soviético de deperecer (...). São factores infinitamente mais poderosos, tais como a indigência material, a falta de cultura geral e a dominação do «direito burguês» no que interessa mais vivamente a qualquer homem: o da sua conservação pessoal» (7).

Por isto, «o exercício do poder tornou-se a especialidade de um agrupamento social que procurava com a maior impaciência resolver a sua própria questão social» (8).

Mas é duvidoso que alguma vez tivesse entendido, como Bukharin, a importância de um razoável grau de autonomia entre o Estado e a «sociedade civil». O receio do líder da «Direita» pelo monopólio do Estado está patente na sua afirmação de que «onde a concentração de meios de produção, dos transportes e das finanças nas mãos do Estado atingiu proporções inigualáveis (...), todo o erro de cálculo é um problema para o conjunto do corpo social» (9).

O combate que Bukharin trava, primeiro contra a «Esquerda» dos bolcheviques e depois contra Estaline, também se faz em nome da limitação do Estado.

«Se ele tomar tudo em mãos, terá de engendrar um aparelho administrativo colossal. Substituir-se às funções económicas dos pequenos produtores e agricultores exige demasiados empregados e demasiados administradores. Meter em todo o lado funcionários do Estado implica uma estrutura muito mais dispendiosa que as perdas ocasionadas pela anarquia dos pequenos produtores» (10).

O crescimento excessivo das funções estatais faria com que «no fim, o aparelho económico do Estado proletário fizesse sentir todo o seu peso sobre as forças produtivas, travando o seu desenvolvimento» (11). Em alternativa, o modelo de transição ensaiado nos anos 20, apostava na possibilidade de «ultrapassar o mercado pelo mercado». «Combatendo no mercado, o Estado e as cooperativas enfraquecerão o seu rival, o capitalismo privado. No fim, as relações de mercado deixarão de se desenvolver e, tarde ou cedo, o próprio mercado periclitará (...). Chegar-se-á ao socialismo precisamente através das relações de mercado» (12). Tal era, em substância o pensamento bukhariniano, no pressuposto de que o poder político fosse proletário.

Percebem-se agora as razões pelas quais, no início da Perestroika, o «regresso a Lenine» se faz em boa medida através da recuperação das teses de Bukharin. Com efeito, a actual economia soviética terá de voltar a passar por um longo período de «assimilação das conquistas técnicas do Ocidente», num quadro em que se exige «não a diminuição da circulação de mercadorias, mas o seu extremo alargamento» (13) e se considera que «os preços servirão tanto melhor a causa do socialismo quanto mais honestamente exprimirem as relações económicas» (14). Não tem mais procedência a tese de «professores obedientes segundo a qual o preço soviético (...) não era uma categoria económica, mas uma categoria administrativa destinada a melhor servir a nova repartição da renda nacional. Estes professores esqueciam-se de explicar como é possível dirigir os preços sem conhecer o preço do custo real, e como se pode calcular este preço, se todos os preços, em vez de exprimirem a quantidade de trabalho socialmente necessário à produção dos artigos, exprimem a vontade da burocracia» (15).

O notável destas citações - e muitas outras do mesmo teor se poderiam acrescentar – é que elas não foram proferidas pelos economistas da Perestroika. São de Trotsky, escritas em 1936, a propósito dos métodos da terceira Revolução de Estaline...


 

Nota: As citações 1, 2, 3, 4, 5, 7, 8, 13, 14 e 15 são do livro de Trotsky «A Revolução Traída». As citações 6, 9,10, 11 e 12 são de Bukharin, retiradas da obra de Stephen Cohen «La vie d'un bolschevik», edições Maspero.

Artigo publicado no jornal "Combate" em Dezembro de 1991. Republicado no livro Malhas que a Memória tece

(...)

Resto dossier

Miguel Portas (1958-2012)

Neste dossier, divulgamos todos os artigos, vídeos, fotogaleria e notícias que o esquerda.net publicou em homenagem e evocação de Miguel Portas. Republicamos também alguns textos da sua autoria e relembramos ainda a sua última entrevista televisiva.

Adeus Miguel

Alguns flashes para ajudar a compor um perfil abrangente do Miguel Portas.

Miguel Portas 1958-2012

Reproduzimos neste artigo um texto de José Goulão, publicado no sitedo beinternacional.

O princípio da esperança

Não tinha tempo, mas continuava a preocupar-se com a vida. Teve a capacidade de construir cidades no deserto.

Carta ao Miguel Portas neste Abril

Tu foste daqueles raros cuja vida se resume na mais densa das frases: "25 de Abril sempre".

A Arte da Fuga

Quando passava por minha casa, o Miguel esticava-se no chão e eu punha a tocar a “Arte da Fuga” de J.S. Bach, no piano de Alice Adler.

Miguel

O Miguel morreu (custa escrever) indecentemente cedo. Cedo demais para toda a energia que tinha e que, até ao último minuto, nunca o abandonou.

Até sempre, Miguel!

O Miguel deixou-nos na passada terça-feira, na véspera do dia comemorativo da revolução que ele ajudou a construir. Partiu um grande amigo, um camarada, cujo exemplo me iluminará o caminho.

Miguel Portas: A arte de traduzir

O Miguel era um grande tradutor. E como tradutor passou a sua vida a des-hierarquizar.

Miguel

Viveu connosco e nós vivemos com ele. Perdemo-lo e não o esquecemos.

Miguel Portas

O Miguel Portas tinha imenso orgulho de ter nascido no 1 de maio, dia de festa e luta. Morreu a 24 de abril, dia que já era de triste memória, sem entristecer mais nenhum dia do calendário, que devemos viver com a alegria intensa com que o Miguel viveu toda a sua vida. Texto de António Costa.

Homenagem a Miguel Portas encheu o São Luiz

"Para o caso de isto correr mal", escreveu Miguel Portas ao escolher o Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa, para juntar amigos e família. O espaço foi pequeno e as portas da Sala Principal também se abriram para mais de mil pessoas assistirem às intervenções, músicas e imagens que evocaram a memória de um "sonhador incorrigível". Ver fotogaleria de Rui Palha.

Olá, Miguel

Quando me confrontei com a ausência insuperável de ti, percebi que coisas houve que não cheguei a dizer-te.

Consegue-se viver sem esperança?

E agora, Miguel? É simples: voa. Voem.

Adeus Miguel

Neste 25 de abril sombrio e chuvoso em São Paulo, fui fazer uma palestra sobre a revolução portuguesa. Levei Miguel comigo, para que não me faltassem as forças.

O Miguel no Bloco

Vídeo realizado para a sessão evocativa de Miguel Portas, com o registo de intervenções políticas do eurodeputado e fundador do Bloco de Esquerda.

Miguel Portas - Fotogaleria

Fotos de Paulete Matos. Música: "Traz um amigo também", de José Afonso, interpretada por Mário Laginha e Bernardo Sassetti ao vivo no Encontro "1001 Culturas".

25 de Abril e os nossos tempos, por Ana Luísa Amaral

Um poema de Ana Luísa Amaral sobre o 25 de Abril, à memória de Miguel Portas.

Teu nome, Socialismo, por Miguel Portas

O propósito: quatro observações soltas que visam contribuir para o debate suscitado pela e sobre a Perestroika, entre aqueles que continuam a reclamar o seu lugar à esquerda e se não renderam a julgamentos apressados sobre a falência de tudo quanto cheire a comunismo e a socialismo. Artigo de Miguel Portas publicado na revista "Combate" e republicado no livro "Malhas que a Memória Tece".

“Gostaríamos de ter trazido um punhado da terra libertada da Palestina”

Uma mensagem do Comité de Solidariedade com a Palestina, com o título “Até sempre, Miguel”, assinala: “ gostaríamos de ter trazido para a despedida de Miguel Portas um punhado da terra libertada da Palestina”, sublinhando que “poucas pessoas se têm empenhado tanto como Miguel Portas na causa dos direitos humanos, sociais e nacionais do povo palestiniano”.

Adeus, Miguel

O Miguel desde que nasceu que fez uma diferença grande. Agora que morreu não é preciso sequer um instante para fazer uma ideia da falta que faz. Artigo de Miguel Esteves Cardoso, publicado no jornal “Público”.

“A guerra no Líbano devia ter sido evitada na Palestina”, por Miguel Portas

Publicamos aqui o capítulo "Palestina" do livro “No Labirinto - O Líbano entre guerras, política e religião” de Miguel Portas, publicado em 2006, numa edição da Almedina.

Sentida homenagem a Miguel Portas

Várias centenas de pessoas formaram uma fila com mais de 200 metros à porta do Palácio Galveias, em Lisboa, para homenagear o eurodeputado Miguel Portas. No domingo terá lugar a sessão evocativa no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, com início às 14h30.

A política ou a vida, por Miguel Portas

O divórcio entre vida e política não é apenas público, começa no domínio privado. Dar o rosto tem um preço em desumanidade. Não duvidem que ela marca os políticos que temos, sem excepção. Porque o fiz, apesar do preço? Talvez porque não tivesse alternativa. Texto que Miguel Portas escreveu no final da campanha para as europeias de 1999.

Mortalidade e política

A morte de Miguel Portas faz-nos recordar que também as sociedades são mortais e que só a boa política consegue prolongar a sua existência. Artigo de Viriato Soromenho-Marques, publicado no jornal “Diário de Notícias”.

AR aprova voto de pesar pelo falecimento de Miguel Portas

Voto aprovado por unanimidade traça o perfil do eurodeputado bloquista e lembra frase da sua última entrevista: “A minha vida valeu a pena porque ajudei os outros”.

O Mediterrâneo é o lugar onde a vida se fez Tempo, por Miguel Portas

No sexto aniversário da morte de Miguel Portas, republicamos o prefácio e o primeiro capítulo de Périplo, o livro sobre o grande mosaico que é o Mediterrâneo.

O Bloco do Miguel

Sendo o Bloco uma invejável confluência de várias visões, cada qual com inúmeras qualidades, julgo que ao Miguel Portas fica associada uma permanente vontade do partido se reinventar.

Revolução: testemunho, por Miguel Portas

A cada um a sua revolução. A minha iniciou-se ainda no tempo da outra senhora, uma expressão que caiu em desuso. E coincidiu com outra, obrigatória pela lei da vida, a da passagem à adolescência. Crónica de Miguel Portas de abril de 1999, retirada no livro “E o resto é paisagem”.

O amor é inextricável, por Miguel Portas

Aceitei uma palestra sobre Os sentidos do Amor e não sabia o que dizer. Tinha feito asneira e estava desesperado. Comprei a Ana e a Maria, mergulhei na sabedoria popular e dei razão à minha amiga Joana – o amor é inextricável. Crónica de Miguel Portas de novembro de 2000, publicada no livro “E o resto é paisagem”.

Miguel Portas (1958-2012): Deixe aqui a sua mensagem

Reproduzimos, neste artigo, algumas das mensagens sobre a morte do Miguel Portas que temos vindo a receber através do endereço eletrónico do Bloco de Esquerda. Poderá deixar-nos aqui o seu testemunho, utilizando, para esse efeito, a caixa para comentários que se encontra no final do texto.

Reações internacionais à morte de Miguel Portas

Neste artigo transcrevemos as reações e notas de condolência de várias individualidades, forças políticas e organismos internacionais. (última atualização 08.05.20121 às 16h25).

11 de setembro – Viragem, por Miguel Portas

Os autores [dos atentados] “são a face terrível do imenso mal-estar que invade o mundo contemporâneo. E sem se ir às causas não haverá como escapar ao ciclo da barbárie”. Texto de Miguel Portas, publicado em Setembro de 2001, após os atentados e que foi incluído no seu livro “E o resto é paisagem” publicado em 2002, e que republicamos.

Última entrevista de Miguel Portas à Sic Notícias 31.01.2012

Publicamos aqui a última grande entrevista de Miguel Portas à SIC Notícias, transmitida a 31 de janeiro de 2012. 

Miguel Portas: “Não desisti de nada”

Este ano, a comitiva do Bloco de Esquerda na manifestação do 25 de abril foi encabeçada por uma faixa em homenagem a Miguel Portas com a frase “Não desisti de nada”, proferida pelo dirigente do Bloco durante uma entrevista ao jornal Expresso em julho de 2011.

Miguel Portas 1958-2012

Reproduzimos neste artigo um texto de José Goulão, publicado no sitedo beinternacional.

Esquerda europeia de luto pela morte de Miguel Portas

De toda a Europa chegaram mensagens de pesar pelo desaparecimento de Miguel Portas, transmitidas ao Bloco e ao grupo no Parlamento Europeu. O esquerda.net publica-as nesta notícia (última atualização 02.05.2012 às 18h47).

Adeus Miguel

Alguns flashes para ajudar a compor um perfil abrangente do Miguel Portas.

Sucedem-se as reações à morte de Miguel Portas

Neste artigo transcrevemos as reações e notas de condolência de várias individualidades e forças políticas mediante o falecimento do dirigente e eurodeputado do Bloco de Esquerda Miguel Portas. Esta quarta-feira, o Parlamento Europeu fez um minuto de silêncio e abriu um livro de condolências para os deputados poderem assinar  (última atualização 17.05.2012 às 17h45).

Miguel

Viveu connosco e nós vivemos com ele. Perdemo-lo e não o esquecemos.

Apresentação do livro "Périplo"

O terceiro livro publicado por Miguel Portas foi “Périplo”, histórias do Mediterrâneo – com fotos de Camilo de Azevedo. Divulgamos aqui a apresentação em Lisboa em Maio de 2009. Miguel Portas publicou ainda os livros "E o resto é paisagem" (2002) e "No Labirinto" (2006).

«Fui sempre mais de jogar fora do baralho»

Miguel Portas morreu hoje, após uma longa luta com mais de dois anos contra o cancro. Tinha 53 anos. Nasceu no 1º de maio de 1958, morreu no dia 24 de Abril de 2012.

Miguel Portas faleceu

O eurodeputado Miguel Portas faleceu esta terça-feira por volta das 18 horas, no Hospital ZNA Middelheim, em Antuérpia. Encarou a sua própria doença como fazia sempre tudo, da política ao jornalismo: de frente e sem rodeios. A Comissão Política do Bloco de Esquerda apresenta os mais sentidos pêsames aos seus filhos e a todos os familiares, amigos e camaradas.