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“Um Governo de Esquerda, uma solução para levantar Portugal”

“Lutamos intransigentemente para demitir Passos Coelho e Paulo Portas, o povo não aguenta mais”, afirmou Francisco Louçã no discurso de abertura da VIII Convenção do Bloco de Esquerda, defendendo que o Bloco é “um partido de protesto e de solução” e que um Governo de Esquerda é a resposta à maior crise desde o 25 de Abril. Louçã disse ainda que “hoje não há despedidas”, referindo o fim do seu mandato – “Aqui estou, aqui estamos, vamos fazer o nosso tempo”.

Na manhã deste sábado, em Lisboa, Francisco Louçã proferiu o discurso de abertura da VIII Convenção do Bloco de Esquerda, começando por dedicar umas palavras de homenagem a Valentina Loução, Fernando Silveira Ramos e Miguel Portas, porque “um partido que se respeita, homenageia os seus”. Citando Zé Afonso – “estou disponível para novas batalhas e não estou disponível para desistir, é desta fibra que se fazem os construtores” – afirmou ainda que “Valentina, Fernando e Miguel eram desta fibra de construtores”.

Percorrendo os 13 anos de vida do Bloco, Louçã referiu as batalhas ganhas, como a lei sobre a violência doméstica, a proteção dos toxicodependentes, a luta pelo direito ao aborto e pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo, o levantamento do segredo bancário, o direito à saúde e o reconhecimento das medicinas alternativas.
“O país mudou para melhor e muda sempre para melhor quando há batalha e uma sociedade de lutadores”, sublinhou. Mas não deixou de referir que “a saúde e a escola pública, a Segurança Social, as funções sociais do Estado, poderiam estar mais protegidas, se a proposta do Bloco de Orçamento Base Zero tivesse sido aplicada”.

O debate o Estado não deveria ser uma ameaça apar as pessoas, mas sim um exercício de democracia, disse Louçã, afirmando que “o Bloco é uma barreira contra o populismo”. Referiu ainda os adversários sérios que o partido encontrou no seu caminho, dando o exemplo recente dos deputados do PS que se juntaram ao Bloco para levar ao Tribunal Constitucional a “óbvia inconstitucionalidade do corte dos subsídios e das pensões”.

“O impossível está a acontecer”

Afirmando que “vivemos a maior crise desde o 25 Abril”, o dirigente bloquista destacou a mudança que ocorreu há 2 anos, quando “a austeridade passou a ser o único remédio, a solução”, dos sucessivos PEC’s do governo socialista ao memorando da troika, com o qual Passos Coelho executa “o maior ataque à vidas pessoas, contra todas as promessas eleitorais”. “Como os gangsters de Chicago, dizem ‘se não consegues vencê-los, junta-te a eles’ e por isso aceitam a precariedade, o desemprego, as privatizações porque tem de ser”, criticou.

Mas “o impossível está a acontecer”, disse Louçã, e o impossível é 1.300 mil desempregados, a dívida de 210 milhões de euros, a fome, tirar aos reformados, ir mais fundo, e estamos a afundar-nos”, vaticinou Francisco Louçã.

“Radicais são suas excelências”

“Chamam-nos radicais por queremos correr com a troika desde o dia zero”, disse Louçã, perguntando: “mas e agora, quando vemos uma senhora do movimento nacional feminino a brincar à caridadezinha, um banqueiro cheio de dinheiro do Estado a dizer que nós aguentamos mais austeridade, a transferência de quase 20% do PIB para os detentores de riqueza estrangeira, 4 mil milhões de euros vindos de offshores de milionários que cometerem um crime fiscal e agora são perdoados no IRS, um Presidente da República  que prefere receber a sua pensão em vez do salário e se queixa que esta mal lhe dá para viver - o que é que vão chamar-nos?”
“Radicais têm sido suas excelências e o país já não aguenta”, acusou. “O atraso não é solução, nem a decadência”, tal como a denunciou Eça de Queirós, disse ainda.

Louçã defende por isso que em vez de refundar o estado, “é preciso refundar a democracia, com toda a força”. Porque depois do festim, o povo não aceita a fatura do empobrecimento”, afirmou, referindo que não foram os salários que criaram o buraco de 4 mil milhões de euros, mas sim as PPP’s, as rendas e o BPN.

Ainda sobre a questão da refundação das funções socias do Estado, Louçã questiona: “quem quer as universidades com promoções Outono/Inverno do género de Miguel Relvas, hospitais privados dos Mello e Espírito Santo, Ulrich ou Jardim Gonçalves a gerir as nossas reformas?”

“Um Governo de Esquerda, uma solução para levantar Portugal”

Perguntando como chegámos aqui, Louçã afirma que foi por causa da “certeza mansa de que a política financeira nunca mudaria”, por causa do “rotativismo” e a alternância entre dois partidos que não têm ideias realmente diferentes. Mas o Bloco “mudou o mapa político”, afirmou, elencando as “17 oportunidades falhadas do rotativismo” na história da nossa democracia, referindo, em particular, e muito criticamente os governos socialistas eleitos desde o 25 de Abril.

O Bloco luta por uma alternativa à esquerda, e por isso “lutamos
intransigentemente para demitir Passos Coelho e Paulo Portas”, afirmou Francisco Louçã, porque “o povo não aguenta a destruição, o desemprego, o empobrecimento, a decadência”. Defendeu também que “o Bloco é um partido de protesto mas também de soluções”, criticando o PS, “o partido que protesta mas quer sempre continuar com o memorando da troika”.

E a solução é um Governo de Esquerda, “uma solução para levantar Portugal, a solução sensata, para defender os salários, as pensões, com ideias fortes, democracia inteira, estamos no olho do furacão e por isso este é o governo de um movimento social que corre nas artérias da República”, defendeu. “O Bloco de Esquerda está aqui para vencer e para mudar”, afirmou Louçã, aplaudido entusiasticamente pelos delegados e delegadas da Convenção.

“Está tudo à nossa frente, boa continuação”

“Termino aqui o mandato que desempenhei nestes anos”, disse Francisco Louçã – “estive no Bloco e vocês também, foi o princípio do melhor tempo das nossas vidas, e vem aí a vida toda”.

“Este é um partido de emoções fortes”, afirmou, continuando “gostei de cada momento, de cada emoção, das ideias e das invenções, mas não vou falar-vos do que passou, pois demos tudo e está tudo à nossa frente” – “hoje, tenho uma certeza, não há despedidas aqui”.

Louçã disse ainda que não vale a pena perguntar-lhe para onde vai, porque está aqui – “sou daqui e estou aqui”, sublinhou, referindo-se ao projeto do Bloco de Esquerda. O fundador e dirigente do Bloco enumerou “a gente de confiança” que conheceu neste percurso, nomeando a gente de Rabo de Peixe, nos Açores, os sindicatos, os movimentos sociais, os autarcas, os organizadores do Bloco, os deputados e as deputadas.

“Quando oiço o Acordai cantado em frente ao Palácio de Belém ou a Grândola cantada na ruas de Madrid, sinto que vale a pena”, afirmou.

“ Aqui estou, aqui estamos, vamos fazer o nosso tempo, com responsabilidade e vida intensa”, disse Francisco Louçã, sublinhando com emoção que “sabemos o que quer dizer a luta toda e nós somos a luta toda – boa continuação”.
 

política: 
VIII Convenção
(...)

Resto dossier

VIII Convenção do Bloco

Neste dossier, republicamos as notícias e vídeos do esquerda.net sobre a VIII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, incluindo as referentes ao comício internacional que juntou em Lisboa partidos da esquerda europeia unidos contra a austeridade.

"Ou vencemos a troika ou ela derrota o país"

Intervenção de Catarina Martins no encerramento da VIII Convenção do Bloco.

"Temos a urgência de defender o país deste Governo"

Intervenção de João Semedo no encerramento da VIII Convenção do Bloco.

“Primeira prioridade do Bloco de Esquerda é demitir este governo”

No encerramento da VIII Convenção do Bloco, este domingo, Catarina Martins defendeu como “primeira prioridade” a demissão do Governo e que a troika “é o inimigo a vencer”. Marcando o tempo da renovação, João Semedo evocou os quatro fundadores do Bloco, afirmando que “é preciso continuar sempre”. (Ver vídeos)

Mesa Nacional e Comissão de Direitos eleitas na VIII Convenção

A VIII Convenção Nacional do Bloco aprovou a moção A com 348 votos (80,3% dos votantes), tendo a moção B obtido 74 votos, existindo ainda 11 abstenções. Nas eleições para a mesa nacional a lista da moção A elegeu 61 membros e a lista B 19. Para a comissão de direitos a A obteve 5 mandatos e a B 2. João Semedo e Catarina Martins são os dois novos coordenadores da comissão política do Bloco de Esquerda.

“Um Governo de Esquerda, uma solução para levantar Portugal”

“Lutamos intransigentemente para demitir Passos Coelho e Paulo Portas, o povo não aguenta mais”, afirmou Francisco Louçã no discurso de abertura da VIII Convenção do Bloco de Esquerda, defendendo que o Bloco é “um partido de protesto e de solução” e que um Governo de Esquerda é a resposta à maior crise desde o 25 de Abril. Louçã disse ainda que “hoje não há despedidas”, referindo o fim do seu mandato – “Aqui estou, aqui estamos, vamos fazer o nosso tempo”.

“Um Governo de Esquerda, uma solução para levantar Portugal” (vídeo)

“Lutamos intransigentemente para demitir Passos Coelho e Paulo Portas, o povo não aguenta mais”, afirmou Francisco Louçã no discurso de abertura da VIII Convenção do Bloco de Esquerda.

Rostos da Convenção

A Convenção do Bloco de Esquerda é feita por homens e mulheres, jovens e menos jovens, vindos de Norte a Sul do país e dos arquipélagos, com experiências políticas e opiniões variadas. O Esquerda.net andou pela convenção a fazer perguntas e a tirar fotografias. (Atualizado em 12/11 às 14h)

Apresentação das moções em debate na VIII Convenção do Bloco

No início da tarde deste sábado, teve lugar a apresentação das moções políticas que se encontram em fase discussão na VIII Convenção do Bloco de Esquerda. Pela Moção A, Pedro Filipe Soares, afirmou que “esta é a hora, a hora do Governo de Esquerda”. “O nosso adversário é a troika e a direita, a linha de demarcação é o memorando”, afirmou João Madeira, pela Moção B.

"Vamos receber Angela Merkel como ela merece!"

A eurodeputada Marisa Matias interveio no comício internacional "Vencer a troika", garantindo que os contribuintes alemães são quem mais tem a perder com os empréstimos da troika a troco de austeridade para o Sul da Europa.

João Semedo e João Madeira encabeçam listas à Mesa Nacional do Bloco

O médico João Semedo e a atriz Catarina Martins são os primeiros nomes da lista A. O historiador João Madeira e a funcionária pública Helena Figueiredo são os primeiros nomes da lista B. Conheça os seus perfis.

Há uma Esquerda na Europa!

No comício internacionalista que antecedeu a VIII convenção do Bloco de Esquerda, representantes de partidos da Alemanha, França, Grécia, Espanha e Portugal reuniram-se para mostrar que a solidariedade não é uma palavra vã e que a esquerda europeia é a da luta e da alternativa.

"Há uma esquerda europeia pronta para a luta!" (vídeo)

Francisco Louçã encerrou o comício internacional "Vencer a troika" com críticas a Angela Merkel, que a "cada dia que passa é mais violenta e mais arrogante", e prometendo-lhe uma resposta pela Europa nas ruas de Lisboa no dia 12.

"Na Grécia como em Portugal, os povos vencerão!"

Mensagem de Alexis Tsipras, líder do Syriza grego, ao Comício Internacional "Vencer a Troika", organizado pelo Bloco e o GUE/NGL em Lisboa.

VIII Convenção do Bloco de Esquerda

Começa neste sábado às 11 horas a VIII Convenção do Bloco de Esquerda, no Complexo Desportivo Municipal do Casal Vistoso - Areeiro, em Lisboa, sob o lema “Vencer a troika”. A convenção decorrerá durante sábado e domingo, realizando-se a sessão de encerramento às 12.30 horas de domingo. Esquerda.net transmitirá em direto a abertura (11.15h) e a apresentação das moções (15h) no sábado e o encerramento no domingo (a partir das 11.30h).

Debate entre moções à Convenção do Bloco

A VIII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda realiza-se a 10 e 11 de novembro em Lisboa. O esquerda.net produziu o debate entre João Semedo (moção A) e Daniel Oliveira (moção B).