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Clínica de saúde comunitária grega recebe ordem de despejo

Clínica já prestou apoio médico gratuito a 7 366 pessoas sem acesso aos cuidados de saúde formais e afetadas pelas políticas de austeridade. Ordem de despejo surge de surpresa, sem que exista local alternativo para continuação do trabalho com comunidade.
Clínica de saúde comunitária na Grécia recebe ordem de despejo
Foto retirada do site Mashable.com

A Clínica Comunitária Metropolitana de Helleniko presta serviços de saúde gratuitos às populações mais pobres. Trata-se de uma clínica comunitária situada nos subúrbios de Atenas onde médicos e outros profissionais de saúde prestam apoio de forma gratuita a pessoas que não possuem seguro de saúde ou que, por algum motivo, se encontram afastadas dos cuidados de saúde formais da rede pública. 

Criada em dezembro de 2011 no terreno de um aeroporto abandonado, a clínica surgiu para enfrentar as consequências na área da saúde das políticas de austeridade na Grécia que afastaram uma grande parte da população vulnerável dos cuidados de saúde. 

Porém, os médicos e outros profissionais de saúde que trabalham de forma gratuita nesta clínica receberam recentemente um aviso de despejo, no qual são informados de que devem abandonar o local até ao dia 30 de junho. O comunicado da Clínica Comunitária Metropolitana de Helleniko explica que o aviso de despejo surge porque a Elliniko A.E., uma “agência quase governamental”, pretende avançar com a venda daquele terreno. O aviso de despejo foi enviado pela agência com o conhecimento do ministro das Finanças e de vários outros ministros relevantes do governo de Alexis Tsipras.

Os ativistas explicam ainda que não foi proposta até ao momento qualquer alternativa de deslocalização da clínica comunitária de forma a que esta pudesse continuar a prestar um serviço gratuito a cidadãos desempregados e a migrantes em situação irregular. 

 

O comunicado informa ainda que desde a abertura do serviço foram tratadas 7 366 pessoas e conduzidas 64 025 consultas de forma totalmente gratuita. Esta organização foi pioneira na reciclagem de medicamentos na Grécia e por isso conseguiram distribuir medicamentos e apoiar centenas de organizações em todo o país. Alegam também ter enviado medicamentos e outros materiais para outras clínicas comunitárias, hospitais públicos, serviços sociais e organizações que trabalham com pessoas com deficiência, serviços de apoio a crianças, centros de refugiados, entre outros. 

Os membros desta clínica sempre deixaram claro que o seu trabalho é uma forma de apoiar as populações mais vulneráveis e não de ajudar o governo - pelo contrário, trabalham para expor os resultados das políticas de austeridade e para defender serviços de saúde públicos e universais. 

Os voluntários da clínica reuniram em assembleia e decidiram não acatar a ordem de despejo. “Afirmamos que não iremos abandonar o local e iremos resistir a quaisquer medidas tomadas para nos negar acesso à clínica enquanto não for encontrada uma alternativa adequada”, lê-se no comunicado.

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