O Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, que teve como presidente do júri o produtor Paulo Branco, distinguiu "É na terra não é na lua", de Gonçalo Tocha, com uma menção especial, ao passo que "Liberdade", co-realizado por Gabriel Abrantes e pelo norte-americano Benjamin Crotty, recebeu um prémio na secção "Pardi di Domani", dedicado a jovens talentos.
Este ano, foi a produção suíço-argentina "Abrir puertas y ventanas", dirigida por Milagros Mumenthaler, que foi a vencedora do Leopardo de Ouro.
Gonçalo Tocha: “É um óptimo início"
Em declarações à imprensa, o realizador português Gonçalo Tocha disse que a menção honrosa no certame é um "óptimo início" para a carreira do seu novo filme, concluído há apenas duas semanas. "Para mim é só o início. Acabei o filme há duas semanas, a versão total de três horas. É um bom início e a partir daqui tudo é possível", disse o cineasta, que recebeu uma menção honrosa pelo filme "É na terra não é na lua", documentário sobre a ilha do Corvo, nos Açores.
A "próxima e mais importante etapa de todas" será mostrar a obra na ilha do Corvo, e não só: "Há uma palavra a dizer do Corvo sobre o filme que fiz e essa segunda exibição na ilha vai ditar também o futuro do filme", disse. "Locarno é o baptismo do filme, e o Corvo é quase o cartão de cidadão do filme", considerou.
"É na terra não é na lua", concebido entre 2007 e 2011, seguirá posteriormente para diversos festivais de cinema no mundo e só "daqui a alguns meses" fará o seu circuito de exibição comercial em salas, embora Gonçalo Tocha realce que ainda não tomou uma decisão sobre tal rumo.
Gabriel Abrantes: "surpreendido mas satisfeito"
Já o realizador português Gabriel Abrantes, distinguido pelo segundo ano consecutivo no Festival de Cinema de Locarno, demonstrou satisfação e surpresa pelo prémio, e quer agora levar o filme a mais certames internacionais. "Fiquei muito surpreendido [com o prémio]. É uma demonstração de que o júri gostou mesmo e queria dar qualquer coisa ao filme", disse o cineasta à Lusa.
O filme "Liberdade", de 17 minutos, co-realizado pelo português e pelo norte-americano Benjamin Crotty, recebeu um prémio técnico na secção "Pardi di Domani", dedicado a jovens talentos.
O objectivo passa, depois de apresentar o filme em mais festivais, por levar "Liberdade" às salas portuguesas e estrangeiras, "acompanhando uma longa-metragem".
Em 2010, o festival suíço distinguiu "A History of Mutual Respect", de Gabriel Abrantes e Daniel Schmit, com o Leopardo de Ouro na categoria de curtas-metragens.