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Cineclube da Casa do Brasil em Lisboa nasce e vai trazer cinema político

A partir do dia 8, a Casa do Brasil em Lisboa inicia um novo projeto: um cineclube para refletir sobre o Brasil atual e discutir criticamente o cinema que aí se faz. A temática da imigração será outra das linhas da programação deste novo espaço.

Arranca dia 8 de janeiro e, para já, há quatro filmes planeados. O Cineclube da Casa do Brasil é o novo projeto desta estrutura fundada em 1991 por brasileiros a residir em Portugal e que está “aberta a todas as nacionalidades”.

A Casa do Brasil “divide” o seu trabalho em três eixos: integração, ativismo e cultura. O primeiro permite ações junto a imigrantes, nomeadamente aconselhando em questões de legalização e de orientação profissional. O segundo faz com que a associação não governamental assuma posições políticas “contra as manifestações de racismo, xenofobia, desigualdades de género,perseguição de governos, políticos e seus partidos, entre outros”. No terceiro desenvolvem-se projetos como um centro de documentação e o espaço cultural “Bar da Casa” que acolhe iniciativas diversas como concertos, teatro, exposições, gastronomia etc. Aí, o cinema já marcava presença. Mas agora o Cineclube vai ser um aprofundamento dessa programação.

A Casa do Brasil esclarece que este foi “idealizado, criado por nossa associada Lídia Ars Mello, que será a programadora, curadora dos filmes durante o ano de 2020”.

Para começar esta aventura, a pós-doutoranda em Estudos Fílmicos na Universidade de Coimbra selecionou quatro filmes políticos brasileiros contemporâneos, todos realizados por mulheres. A começar pelo filme Os dias com ele, de 2014, realizado por Maria Clara Escobar que estará presente. Um filme em que a realizadora visita o passado do seu pai, Carlos Henrique Escobar, ex-militante político na época da ditadura militar no Brasil, que vive há cerca de 20 anos em Aveiro.
O segundo filme intitula-se Marighella. Lançado em 2011, é uma obra de Isa Grinspum Ferraz que faz o retrato “político e afetivo” do revolucionário brasileiro. Passa dia 15 de janeiro no mesmo espaço.

A exibição do terceiro filme está marcada para dia 22 às 19.30. Retratos de identificação é um documentário de Anita Leandro que mostra o processo da prisão, durante a luta militar, de um grupo de militantes da Vanguarda Armada Revolucionária.
O ciclo inicial fecha no dia 29 de janeiro com o filme Setenta. Também ele um documentário e também sobre um grupo revolucionário na altura da ditadura, esta obra de Emília Silveira retrata “o mais longo sequestro político da história do país”, o do embaixador suíço Giovanni Bucher.

A Casa do Brasil anuncia ainda que entre fevereiro e dezembro 2020 a programação será sobre filmes que abordam a temática da imigração. Sempre às quartas-feiras, com entrada livre mas sujeita a marcação prévia, o cinema vai marcar presença forte. À Lusa, Lídia Mello esclarece que sabe que “o cinema não faz milagres” mas ainda assim pensa que “pode abrir caminhos para as pessoas pensarem a realidade que o Brasil está vivendo”. A prioridade será portanto debruçar-se sobre o “momento bastante preocupante no Brasil, da tirania do governo que está se instalando, desde que assumiu há um ano, infelizmente, para desgraça de nós brasileiros”.

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