Esta quinta-feira, cientistas e ativistas da Scientist Rebellion Portugal concentraram-se em frente ao Consulado de Espanha, em Lisboa, como forma de demonstrarem solidariedade com os seus congéneres espanhóis que foram acusados pelo Ministério Público daquele país de danos agravados e desordem pública depois de uma ação de desobediência civil não violenta de protesto face à inação climática do Governo espanhol.
Em comunicado, a organização lembra que aqueles 15 ativistas e cientistas tinham protestado em frente ao Congresso dos Deputados, em Madrid, a 6 de Abril de 2022, manchando os degraus e as colunas da fachada com um líquido vermelho, “fácil de limpar” e “que representava o sangue das pessoas que já foram vitimadas pela crise climática”. Essa ação foi feita ao mesmo tempo que se conhecia o conteúdo do sexto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, pretendendo alertar que “após décadas de avisos e relatórios, os governos ainda não estão a agir de acordo com a seriedade dos factos”.
Os ativistas identificados nessa altura correm o risco de cumprirem penas de prisão de até seis anos. E os ativistas climáticos perguntam-se “que moldura legal é esta que sujeita quem defende o nosso futuro a seis anos de prisão e deixa impune quem, por inação, sacrifica sem apelo nem agravo o futuro coletivo dos seus cidadãos, colocando a vida de muitos deles em risco”.
Para justificar a sua tomada de posição comparam ainda a situação de Espanha, onde 75% do território “já está em alto risco de desertificação” com a de Portugal, onde esse risco “afeta 52% do território”. Critica-se ainda a posição do Governo português que “há meses que está a refletir sobre a retirada de Portugal do Tratado da Carta da Energia, sem chegar a qualquer conclusão, em contraciclo com a retirada de Itália já em 2016 e as anunciadas retiradas de França e Países Baixos”. E denuncia-se que a Galp “prevê um aumento da produção de petróleo e gás em 25% até 2025 e a REN tem estabelecido um contrato de fornecimento de gás com o Estado que vigora até 2048”. Estas situações, avaliam, “contrastam gritantemente com a necessidade imperiosa de reduzir a nossa dependência dos combustíveis fósseis”.