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Cientistas alertam para necessidade de reduzir emissões

A mais antiga publicação científica do mundo estudou o que aconteceria caso o Acordo de Copenhaga fosse cumprido. No pior dos cenários, enfrentaremos um aquecimento global de 4ºC até 2060, no cenário mais provável este nível será alcançado até 2070.Por Ricardo Coelho.
As consequências do aquecimento global são catastróficas. Foto de Agência de Notícias do Acre/Flickr.

No momento em que as negociações climáticas prosseguem com outra cimeira, em Cancún, México, a comunidade científica tem alertado os líderes mundiais para a necessidade de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, responsáveis pelas alterações climáticas. Neste momento já se sabe que 2010 será um dos anos mais quentes de sempre e que as emissões continuam a aumentar.

Para evitar as piores consequências das alterações climáticas, será necessário limitar o aumento da temperatura média global a 2ºC, ou até menos que isso. Mas os compromissos realizados ao abrigo do Acordo de Copenhaga, negociado entre os EUA e alguns países industrializados, são insuficientes para atingir esta meta. Segundo estimativas do Programa Ambiental das Nações Unidas, estes compromissos apenas garantem 60% dos cortes nas emissões necessários para evitar a ultrapassagem da barreira dos 2ºC. Pior, o Acordo de Copenhaga é voluntário, pelo que não existe qualquer garantia de que os compromissos sejam cumpridos.

Um número especial do Philosophical Transactions of the Royal Society foi dedicado a estudar o que aconteceria caso o Acordo de Copenhaga fosse cumprido. No pior dos cenários, enfrentaremos um aquecimento global de 4ºC até 2060, no cenário mais provável este nível será alcançado até 2070. As consequências deste aumento incluem um aumento das secas e da desertificação, com três biliões de pessoas em risco de ficar sem acesso a água potável, um possível colapso das florestas tropicais, a extinção de numerosas espécies, um aumento do nível médio do mar e a criação de uma catástrofe humanitária, com um bilião de refugiados ambientais à procura de sítio onde viver. Para um país do sul da Europa, como Portugal, é de esperar um futuro com mais secas, mais erosão dos solos e mais ondas de calor, com as consequências que isso implica para a agricultura, a saúde pública e a geração de energia hidroeléctrica.

Num dos artigos, o Professor Kevin Anderson, Director do Tyndall Centre for Climate Change Research, defende o racionamento do consumo de energia durante as próximas duas décadas nos países ricos. Esta política audaz implicaria um crescimento económico nulo e uma significativa alteração nos estilos de vida mas é conciliável com a manutenção da qualidade de vida. Kevin Anderson explica que o que está em causa é mudar rotinas, usando o transporte público em vez do individual e usando uma camisola em casa em vez de ligar o aquecimento. Em declarações ao Telegraph explica “As nossas emissões eram bem menores há dez anos atrás e nós vivíamos bem”.

O Professor Myles Allen, do Departamento de Física da Universidade de Oxford, por seu lado, salienta que o nível de emissões de gases com efeito de estufa tem de ser reduzido rapidamente. O desafio é manter a concentração destes gases na atmosfera abaixo do nível para além do qual sobreviver se torna um desafio para uma boa parte da humanidade.
Ainda no Telegraph, o Professor diz que “As alterações climáticas perigosas também dependem de quão rápido o planeta está a aquecer, não apenas o quão quente fica, e a taxa máxima de aquecimento depende da taxa máxima de emissões. Não interessa só o quanto emitimos, mas o quão rápido o fazemos”.

Sobre o/a autor(a)

Ricardo Coelho, economista, especializado em Economia Ecológica
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