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Cidades em risco: alterações climáticas já chegaram, faltam medidas

Um estudo do Carbon Disclosure Project analisa como as alterações climáticas estão já a afetar centenas de cidades no mundo e como não estão a ser tomadas medidas para lidar com o problema. Em Portugal, Lisboa, Porto, Braga, Cascais e Guimarães fazem parte desta lista de “cidades em risco”.
Cheias em Lisboa. 2014.
Cheias em Lisboa. 2014. Foto de Paulete Matos.

“Nenhuma cidade está a salvo.” Este é o pressuposto do relatório “Cidades em Risco” que procura fazer um diagnóstico das alterações climáticas em ambiente urbano com base em dados de 620 cidades. Divulgado esta terça-feira, foi produzido pelo Carbon Disclosure Project, uma organização sem fins lucrativos sediada em Londres e que conta presença em 50 países, cuja finalidade é consciencializar “investidores, empresas, cidades e governos” acerca dos “impactos” das suas ações de modo a que possam “fazer as escolhas certas neste momento”.

Segundo este estudo, 530 de entre estas 620 cidades, ou seja uma população de 517 milhões de pessoas, sentem nesta altura problemas derivados das alterações climáticas. Só que apenas cerca de metade delas, 336, avaliam as suas vulnerabilidades. E o relatório “cidades em risco” sublinha que o “primeiro passo para as cidades é compreender as suas vulnerabilidades”, pelo avaliações completas de riscos a curto, médio e longo prazo são necessárias. As cidades que o fizerem, afirmam os autores do estudo, terão o dobro das hipóteses de conseguir identificar riscos e de implementar estratégias de adaptação.

As cidades terão de estar preparadas desde já para lidar com inundações, calor extremo e secas mais prolongadas. Para além de efeitos derivados: aumentarão dificuldades para as populações mais vulneráveis, nomeadamente os riscos de doença. Porém, 46% das cidades que foram questionadas no âmbito do estudo admitiram que não estão a tomar qualquer medida para responder a estas situações.

Com um aumento da população urbana, que chegará a dois terços da população global em 2050, e com 70% das cidades a sentirem já os efeitos das alterações climáticas, aos perigos de pobreza somar-se-ão dificuldades acrescidas na oferta de serviços públicos, nomeadamente na área da saúde, e impactos negativos nas infraestruturas, na energia e no abastecimento de água.

Outra questão tomada em linha de conta no estudo, é que a maior parte dos riscos identificados são de curto prazo, ao passo que os problemas de longo prazo não estão a ser reportados. Apenas 11% destas cidades identificaram este tipo de perigos.

No que diz respeito às soluções que algumas das cidades estão a implementar, 167 dizem estar a mapear possíveis cheias, 126 dizem estar a tomar medidas de gestão de crise, 106 dizem estar a envolver a comunidade, 99 têm planos para plantação de árvores e 88 apontam para o planeamento a longo prazo como a resposta às alterações climáticas. Os autores do estudo apontam ainda que poucas cidades estão a investir em grandes projetos de infraestruturas de forma a minimizar impactos, considerando que “as cidades devem tomar passos para assegurar que as suas infraestruturas estão preparadas para o risco do futuro”, um investimento “desesperadamente necessário”.

Os responsáveis políticos das cidades responderam ainda sobre as maiores barreiras que encontram à sua ação neste âmbito: limitações orçamentais são o maior problema com 87 cidades a referirem-nas, a pobreza vem logo a seguir com 66, as condições atuais das infraestruturas com 58, o mesmo número das que aponta dificuldades de alojamento e, por último, as desigualdades com 54.

Em Portugal, o estudo analisou estes problemas em cidades como Lisboa, Porto, Braga, Cascais e Guimarães.

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