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“A cidade-negócio de Rui Moreira tem os dias contados”

Sérgio Aires, candidato à Câmara do Porto, explicou que esta candidatura “é contra a cidade-negócio” que “privilegia o enriquecimento de uma minoria à custa do empobrecimento da maioria” e onde “a precariedade laboral é a receita”. Candidato põe "combate à pobreza e às desigualdades no topo das prioridades".
Sérgio Aires, candidato à Câmara Municipal do Porto pelo Bloco de Esquerda. Foto de Fernando Veludo, Lusa.

Este domingo teve lugar, na Praça da Corujeira, Campanhã, a apresentação das candidaturas do Bloco de Esquerda na cidade do Porto, com a presença do candidato à Câmara Municipal, Sérgio Aires, da candidata e atual representante na Assembleia Municipal, Susana Constante Pereira, e da coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins.

Com quase 30 anos de foco no combate à pobreza, Sérgio Aires defendeu que “onde há pobreza a democracia não está completa, e onde a democracia não está completa a liberdade está sempre ameaçada”.

E deixou uma mensagem ao candidato do PSD, Vladimiro: “Fico feliz por ver que o PSD está agora tão preocupado com a pobreza. Infelizmente, no PSD a tradição diz-nos que as políticas que defendem e puseram em prática ao nível local e nacional são as grandes responsáveis pela produção e reprodução da pobreza”.

Já ao PS e à sua futura candidatura, “partindo do princípio que existirá alguma, e que não será mesmo o Dr. Rui Moreira”, Sérgio Aires afirmou esperar “que digam e façam alguma coisa de esquerda”, responsabilizando o PS por ter permitido “que chegássemos aonde chegámos”.

“A sua cidade-negócio tem os dias contados”

Para Rui Moreira, ficou um alerta: “A sua cidade-negócio tem os dias contados. O fascínio pelo cosmopolitismo bacoco e servil aos interesses económicos já só convence quem anda distraído ou come à mesma mesa”.

A candidatura do Bloco “é contra a cidade-negócio” que “privilegia o enriquecimento de uma minoria à custa do empobrecimento da maioria” e onde “a precariedade laboral é a receita”. O Plano Diretor Municipal (PDM) aprovado esta semana, com os votos do Movimento de Rui Moreira e a abstenção do PSD, é, de acordo com Sérgio Aires, exatamente “a continuidade da cidade-negócio” e constitui “uma excelente ilustração de que, se o Dr. Rui Moreira continuar a governar a cidade, num registo unipessoal, e com o apoio, ou a complacência, da oposição o próximo PDM será o Plano do Moreira”, frisou Sérgio Aires.

“É por isso mesmo que defendemos que seja imediatamente criada uma comissão de acompanhamento da execução do PDM, que além das forças políticas deve integrar as organizações e os coletivos da cidade e deve garantir que a próxima revisão será feita no devido tempo, ao contrário do que aconteceu desta vez”, continuou.

Esta candidatura, tem como objetivo “pôr o combate à pobreza e às desigualdades no topo das prioridades com um enfoque muito especial na habitação, na saúde, nos desafios demográficos e na justiça climática”.

“A cidade precisa de um executivo municipal que interprete corretamente as necessidades das pessoas, que combata a visão da cidade-negócio e que evite que esta visão se aprofunde e concretize ainda mais, sobretudo com o acesso a fundos europeus e sua programação em curso”, defendeu Sérgio Aires. E é “fundamental privilegiar a voz das pessoas – todas as pessoas - que podem e devem participar na identificação coletiva dos problemas e construção de soluções”, continuou.

“A situação de Serralves e da Casa da Música são exemplos de como este executivo trata as pessoas. A CM ter mantido os seus representantes nestes órgãos depois de tudo o que se passou com a precariedade dos trabalhadores, é confrangedor. O mínimo que podia ter feito era demonstrar alguma solidariedade e ter abandonado a administração daqueles órgãos enquanto a justiça e legalidade não fossem repostas”, apontou.

A criação de um Plano Integrado de Luta contra a Pobreza

Sérgio Aires apresentou a proposta de criação de um Plano Integrado de Luta contra a Pobreza a ser apoiado por uma programação financeira, nomeadamente dos Fundos Comunitários e do Plano de Recuperação e Resiliência.

Este Plano “integrará e será articulado com os principais eixos do nosso programa que terão como foco central um objetivo prioritário e transversal: reforçar a coesão social, combater a pobreza e as desigualdades”. explicou.

O programa “que está em construção e que, como habitualmente, irá ouvir e acolher a participação de muitas pessoas” tem como eixos: a habitação e demografia; os direitos sociais, com particular enfoque na saúde, nas respostas sociais e no reforço dos serviços públicos de proximidade em todas as áreas; os transportes e mobilidade; o urbanismo e ambiente; a economia local e trabalho; e as políticas culturais.

“Temos de ser capazes de fazer as pessoas acreditarem que o que vivemos não é uma inevitabilidade; é o resultado de escolhas de uma elite que nos engana acenando com prémios e distinções que apenas favorecem a cidade-negócio e quem com ela lucra”, afirmou o candidato.

“Temos que ser capazes de continuar a demonstrar que há alternativas, que é possível vivermos todos e todas melhor, sem largar a mão de ninguém”, acrescentou Sérgio Aires, realçando que “esta é a cidade que queremos. Uma cidade que não é Porto, ponto; é Porto e reticências - porque queremos ter voz e participar nas decisões dos nossos destinos”.

“Fomos a oposição necessária para fazer a luta pelos direitos das pessoas”

A candidata e atual representante na Assembleia Municipal, Susana Constante Pereira, afirmou que esta candidatura preconiza a “luta política de que o Porto precisa com mais urgência que nunca neste momento das histórias das nossas vidas”.

“São 20 anos de governação de direita na cidade: 12 anos de Rui Rio e de coligação PSD/CDS e oito anos de Rui Moreira que, sob uma fachada de política independente, convoca as mesmas forças de direita”, assinalou.

Susana Constante Pereira referiu que “o que se passa no Porto é, em muitos aspetos, o contra-ciclo do que se passa no resto do país no que toca a conquistas que têm sido feitas”, dando o exemplo do monumento ao Ultramar erigido com orçamento municipal e a recusa da autarquia em hastear a bandeira LGBTI+.

De acordo com Susana Constante Pereira, esta “candidatura é um projeto coletivo, tal como foi a intervenção política que pusemos no terreno nos últimos quatro anos, com o imprescindível cunho do nosso João Semedo”.

“Fomos a oposição necessária para fazer a luta pelos direitos das pessoas”, vincou.

Destacando o tanto que há a fazer pela cidade toda, a candidata garantiu que tudo fará para levar para dentro da Câmara a voz de Sérgio Aires.

"Uma candidatura comprometida com quem aqui vive, e não com quem faz negócio com ela”

Catarina Martins enfatizou que esta é “uma candidatura comprometida com quem aqui vive, e não com quem faz negócio com ela”.

A coordenadora do Bloco lembrou a “política extraordinariamente violenta de Rui Rio” no Porto . Depois de “duas décadas de governação à direita, sabemos que Rui Rio e Rui Moreira não são iguais e não se confundem. Mas sabemos que nos buracos da violência das demolições de Rui Rio Moreira fez negócio e nunca respondeu aos que tinham sido expulsos”, disse Catarina Martins..

Sobre o candidato do PSD, Vladimiro Feliz, ex-vice presidente da Câmara de Rui Rio, a dirigente bloquista recordou que este ficou conhecido por ajudar Rui Rio a trazer para o Porto “uma corrida de carros que obrigou a arrancar os carris do metro na Boavista e à Câmara do Porto a pagar um milhão de euros de indemnização. É este extraordinário legado de Rui Rio que agora tenta aparecer novamente com esta triste candidatura”, vincou.

De acordo com Catarina Martins, estes 20 anos à direita “deixaram no Porto feridas muito profundas”.

“As camadas populares que fazem esta cidade e construiram esta cidade foram empurradas para fora do Porto”, lamentou, sublinhando que “é contra estas duas décadas de governação à direita que expulsou a gente do Porto que o Bloco se levantou todos os dias e todos os dias fez trabalho”.

“Onde tem estado a oposição na Câmara do Porto, quando vemos que PSD, PS, PCP têm alternado abstenções mas, na verdade, Rui Moreira vai sempre aprovando este Plano do Moreira da cidade-negócio?”, questionou.

Catarina Martins afirmou que “estamos a correr pela nossa cidade, e, por isso, queremos uma esquerda a sério na Câmara Municipal do Porto.

A coordenadora bloquista garantiu que Sérgio Aires acabará com “o unanimismo das abstenções à vez”.

“Da posição tipo biombo de sala temos tido bastante. O Bloco nunca será isso com esta grande equipa”, será, isso sim, “a oposição firme que tem faltado”, realçou.

 

 

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