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China promete punir manifestantes de Hong Kong

O governo chinês faz exercícios militares às portas de Hong Kong e endurece o discurso. Entretanto, os manifestantes adotaram uma nova estratégia defensiva: para se protegerem dos sistemas de identificação facial usam ponteiros laser. A polícia respondeu classificando-os como armas ofensivas.
Manifestante em Hong Kong rodeado de lasers.
Manifestante em Hong Kong rodeado de lasers. Fonte twitter.

Mais de dois meses de protestos intensos em Hong Kong estarão a ser demais para o governo chinês. O movimento nasceu em junho contra a lei da extradição e em defesa da autonomia mas, aparentemente enterrada essa lei, parece continuar imparável. Exige-se agora mais democracia.

Na passada terça-feira, Yang Guang, do Gabinete governamental para Hong Kong e Macau, avisou que será “apenas uma questão de tempo” até que a China puna quem está por trás destas manifestações: “gostaríamos de deixar claro ao pequeno grupo de criminosos violentos e sem escrúpulos e às forças sujas por detrás deles: aqueles que brincam com o fogo vão perecer por ele.” Acrescentou ainda: “não confundam a nossa contenção com fraqueza”.

O aviso será para levar a sério. Até agora, ao nível oficial, o governo central não fez qualquer intervenção no território, tendo-se limitado a rotular os manifestantes como “radicais violentos” que são influenciados a partir do exterior.

Mas há sinais de que a política de não intervenção possa mudar sob o pretexto de um possível pedido de ajuda das autoridades da região. Zhang Xiaoming, outro dos quadros de topo encarregue dos assuntos de Hong Kong e de Macau disse que se trata de “prevenir que Hong Kong se afunde num abismo” e, por isso, se os protestos escalarem o exército chinês pode mesmo intervir. Recentemente, houve exercícios militares e policiais em Shenzhen, cidade que faz fronteira com Hong Kong, que as autoridades trataram de divulgar através de vídeos.

Outro sinal de inquietação é a chamada de volta do ex-chefe de polícia, Alan Lau Yip-shing, que estava já reforma. Este foi o chefe de operações em 2014, aquando do movimento Occupy, também conhecido como a revolução dos chapéus de chuva.

As manifestações têm igualmente deparado com episódios de violência causados por grupos não identificados. Os líderes do protesto acusam o Estado central chinês de utilizar banditismo para tentar impedir o movimento mas as autoridades negam qualquer envolvimento.

Desde o início desta vaga. cerca de 568 pessoas foram presas e dezenas têm sido acusados de distúrbios, crime cuja pena pode chegar até 10 anos de prisão efetiva.

A greve geral parou Hong Kong

Na segunda-feira uma greve geral paralisou a cidade. Houve bloqueios de estradas e, como de costume, gás lacrimogéneo e balas de borracha. Segundo a polícia, 15 esquadras de polícia foram atacadas. Num só dia, foram detidas 82 pessoas, o mais novo com apenas 13 anos.

Para além dos confrontos entre polícia e manifestantes, voltaram a surgir grupos armados com bastões a atacar quem protestava.

A guerra do laser contra o reconhecimento facial

Os manifestantes de Hong Kong, que tornaram os chapéus de chuva que usavam para diminuir os efeitos do gás lacrimogéneo num símbolo em 2014, têm agora uma nova imagem de marca: os ponteiros de laser.

Na noite da passada terça-feira, um grupo de mil pessoas rodeou uma esquadra para exigir a libertação de Keith Fong, dirigente estudantil da Universidade Baptista de Hong Kong, acusado de tentar comprar ponteiros de laser. A polícia classificou-os como uma arma ofensiva alegando que pode ferir os olhos. E fez uma demonstração para tentar provar que estes queimavam papel.

Os manifestantes têm vindo a utilizar ponteiros de laser de forma a tentar impedir os sistemas de reconhecimento facial da polícia e iludir as câmaras de vigilância.

Centenas responderam esta quarta-feira à polícia participando num enorme “laser show” de protesto junto ao planetário de Hong Kong. Apontaram os seus lasers a edifícios e árvores, cantando “fogo, fogo, não arde”.

Numa imagem que se tornou viral, apontaram dezenas de lasers a um exemplar de um jornal pró-Beijing, “tentando” fazê-lo pegar fogo. Sem sucesso. Ou com sucesso para o que pretendiam provar. Este protesto simbólico tornou-se a seguir uma festa com música e dança. Um ambiente desanuviado que contrastou com o dos dias e semanas anteriores em que foram disparadas quase duas mil cargas de gás lacrimogéneo.

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