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China intensifica repressão na véspera do 25º aniversário de Tiananmen

Detidos pelo menos cinco destacados ativistas ligados à denúncia do massacre de Tiananmen e uma jornalista. Acusações são divulgar “segredos de Estado”, participar de um seminário sobre Tiananmen ou pedir autorização para realizar um protesto na ocasião.
O famoso protesto solitário em Tiananmen
O famoso protesto solitário em Tiananmen

O governo chinês intensificou, nos últimos dias, a repressão sobre ativistas vinculados à denúncia do massacre do movimento democrático de Tiananmen (Praça da Paz Celestial), ocorrido em1989.

Segundo a Amnistia Internacional, na semana passada, pelo menos cinco destacados ativistas ligados à questão de Tianamen e também, anteriormente, uma jornalista foram detidos .

A prisão da jornalista Gao Yu

Segundo informação da agência estatal de notícias chinesa Xinhua, a jornalista Gao Yu, de setenta anos, foi presa por divulgar “segredos de estado” a um editor de uma publicação estrangeira.

Gao Yu é uma destacada jornalista, defensora das vítimas do massacre de Tiananmen ocorrido no dia 6 de junho de 1989.

O movimento de Tiananmen, como ficou conhecido, começou com protestos estudantis, nessa praça de Pequim, no dia 14 de abril de 1989 e durou ate o dia do massacre, em 6 de junho. Apesar de ter sido iniciado por estudantes, com o passar dos dias a poderosa mobilização começou a receber adesão popular e, principalmente, do poderoso proletariado chinês, transformando-se numa ameaça letal para o regime do Partido Comunista.

No dia 6 de junho, as tropas do governo executaram um feroz massacre ao movimento. Até hoje, devido à pedra que os dirigentes comunistas colocaram sobre o episódio, ninguém sabe dizer se foram centenas ou milhares de mortos.

Com a aproximação do 25º aniversário do massacre e as iniciativas de ativistas para relembrar esse doloroso episódio na história chinesa, não resta duvida que a prisão de Gao Yu teve o objetivo de calar uma das vozes, que seguramente se ouviria no próximo dia 6 de junho.

A acusação é de que Gao Yu divulgou o chamado Documento Número 9 do Partido Comunista. Esse documento, entre outras coisas, faz um ataque à liberdade de imprensa e também à liberdade de pensamento. Essa seria, para os dirigentes comunistas, a divulgação de um “segredo do estado”, como se ninguém soubesse que a China continua a ser, ainda hoje, a maior ditadura do planeta.

A prisão do advogado Pu Zhiqianq

Na terça-feira desta semana, a polícia prendeu pelo menos cinco destacados ativistas. Eles participavam de um seminário onde se discutia a necessidade de que se faça uma investigação sobre o massacre de Tiananmen. Foram presos Hao Jian, Xu Youyu, Liu Diu e o advogado Pu Zhiqianq, ativista pelos direitos humanos na China. Além de prender esses lutadores, a polícia interrogou, também, vários outros ativistas políticos.

A atual onda de repressão aos ativistas ligados ao problema de Tiananmen é sinal de que o governo chinês tem verdadeiro pavor de que os ativistas chineses usem a comemoração para ressuscitar um novo movimento democrático no país.

A China passará este ano a ser a primeira potência económica do mundo e não deixa de ser um grande contraste que a ascensão do dragão chinês seja feita sob um brutal regime ditatorial, dirigido pelo Partido Comunista. Estima-se que nesse país existam de 1 a 4 milhões de presos. Mas ninguém sabe dizer quantos desses são presos políticos. Torturas e assassinatos de ativistas continua sendo uma prática rotineira. E a repressão contra as minorias étnicas, como os Uighur e a população do Tibete, continua a ser feroz.

Em março deste ano, outro ativista, Gu Yimin, foi preso por 18 meses. A condenação deveu-se ao “incitamento a subversão do Estado”, pelo fato de Gu Yimin ter tentado postar online imagens do massacre de Tiananmen e, também, ter solicitado, no ano passado, autorização para realizar um protesto na ocasião da comemoração do 24º aniversário de Tiananmen.

A atual onda de repressão aos ativistas ligados ao problema de Tiananmen é sinal de que o governo chinês tem verdadeiro pavor de que os ativistas chineses usem a comemoração para ressuscitar um novo movimento democrático no país. Na China continuam as greves e também são comuns as manifestações contra a degradação ambiental. A ditadura chinesa tem bastante claro que, para sobreviver, é necessário continuar a estrangular a democracia. A nova liderança, que conduz a China hoje, tem deixado claro que não está disposta a tolerar críticas, nem dentro dos seus próprios círculos.

Democracia, uma palavra em extinção

A possibilidade de que a ditadura chinesa se torne a primeira potência mundial, neste ano, e que nenhuma das chamadas potências “democráticas” faça uma veemente condenação à ditadura chinesa mostra a insignificância que a “democracia” se tornou no mundo capitalista. A democracia é um regime em franca extinção, como têm provado as revelações de Edward Snowden sobre a vigilância da NSA, Agência de Segurança Nacional norte-americana; o mesmo ocorrendo com a agência de espionagem inglesa e, também, a falsa democracia na Índia, o segundo país mais populoso depois da China, onde as organizações políticas de esquerda estão obrigadas à clandestinidade. Com a repressão sobre os movimentos sociais em todos os países americanos, europeus, africanos e asiáticos, com a criminalização desses movimentos, quem poderia condenar a ditadura chinesa?

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