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China aumenta censura face aos protestos contra política “Covid Zero”

Ao mesmo tempo que se suavizam medidas de combate à pandemia sem se abandonar oficialmente a política de “Covid Zero”, param-se pessoas nas ruas para verificar se usam aplicações estrangeiras ou VPN e aumenta o grau de vigilância à atividade online.
Foto de protesto contra a política de Covid Zero em Pequim. Foto de MARK R. CRISTINO/EPA/Lusa.
Foto de protesto contra a política de Covid Zero em Pequim. Foto de MARK R. CRISTINO/EPA/Lusa.

As autoridades chinesas ativaram o grau de censura mais elevado de “resposta de emergência” na sequência dos protestos e críticas que se espalharam no país face à política de “Covid Zero”. Ao mesmo tempo que se anunciam algumas medidas de matização das restrições aplicadas no combate à Covid-19, as autoridades estão a parar pessoas nas ruas de Pequim e de Shanghai e a verificar nos seus telemóveis se usam aplicações estrangeiras ou VPNs, as redes de comunicação privadas que criam ligações seguras e criptografadas e que são usadas para não se detetar o tráfego.

O Guardian dá conta das diretivas oficiais da administração chinesa do ciberespaço que foram divulgadas por várias fontes a partir de uma informação inicial de uma das contas de Twitter que tem divulgado os protestos, a @whyyoutouzhele. As autoridades chinesas manifestam preocupação pela capacidade dos manifestantes contra a política de Covid Zero de conseguirem contornar a chamada “Great Firewall”, a “muralha” construída pelo governo para censurar a atividade na internet na China e que impede o acesso a muitos sites estrangeiros.

De acordo com o South China Morning Post, as publicações sobre o protesto têm passado cada vez pelo Twitter e pelo Telegram, com as que são publicadas nos equivalentes chineses, o Weibo e o WeChat, a serem detetadas muito rapidamente. Aquelas duas aplicações passaram a fazer parte da lista de aplicações censuradas no país. Mas apenas através de VPN se pode aceder-lhes na China.

Nas palavras do documento das autoridades chinesas que foi “vazado”, foi acionada a “resposta de emergência de Nível 1 na internet, o nível mais elevado de gestão de conteúdo”. As instruções passam a ser para identificar e reportar o mais cedo possível informação sobre os “distúrbios offline” e “recentes eventos de perfil elevado em várias províncias”. Especial atenção será dada às VPN.

Escreve-se que “o incidente de 24 de novembro [o incêndio no edifício em Urumbiqi que vitimou dez pessoas e onde alegadamente as medidas de quarentena impediram a ação dos bombeiros] desencadeou expressões de várias queixas”. E considera-se ainda que “Slogans políticos perniciosos apareceram em Xangai; estudantes universitários realizaram encontros políticos conspícuos; as difamações nos meios de comunicação social estrangeiros aumentaram; e várias páginas de internet reforçaram a sua gestão de conteúdos".

Assinalam-se ainda alguns dias particulares a ter atenção, como o Dia Mundial dos Direitos Humanos e os Dia contra a corrupção.

Entretanto, foram levantados os bloqueios de várias cidades apesar de continuarem a ter casos elevados de infeção por coronavírus e as regras de confinamento e testagem têm sido igualmente suavizadas. Por outro lado, o discurso também se tem alterado com menos referências diretas à “dinâmica zero Covid”, com várias explicações sobre a menor gravidade da variante Omicron e com a Xinhua a apelar mais acentuadamente à responsabilidade individual no combate à Covid-19.

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