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Cheias e ondas de calor: populações ribeirinhas mais vulneráveis a alterações no clima

Plano Metropolitano de Adaptação às Alterações Climáticas da Área Metropolitana de Lisboa é hoje apresentado e coloca Lisboa, Almada e Seixal como os concelhos onde as populações estão mais vulneráveis aos impactos nocivos das alterações climáticas.
Cheias e ondas de calor: populações ribeirinhas mais vulneráveis a alterações no clima
As pessoas “não estão minimamente preparadas para" consequências das alterações climáticas, diz coordenador do estudo. Na foto, um cartaz da manifestação climática de 15 de março, em Lisboa. Foto de Paula Nunes.

As alterações climáticas deixarão a região metropolitana de Lisboa muito mais vulnerável a incêndios e inundações. Segundo os especialistas, as temperaturas poderão subir três graus, provocando maiores períodos de seca e também a subida do nível médio das águas, com implicações para os habitantes das zonas ribeirinhas do Tejo e do Sado.

Em declarações à Renascença, Carlos Humberto Carvalho, primeiro secretário da Área Metropolitana de Lisboa, explica que ao longo de quase dois anos, 18 municípios de Lisboa fizeram um diagnóstico e a questão da subida das águas surge no topo das preocupações.

“Eu acho que a subida do nível médio das águas é claramente um dos aspetos mais referenciados nas reuniões que fomos tratando”, disse Carlos Humberto Carvalho à Renascença na antecipação da apresentação do plano metropolitano de adaptação às alterações climáticas

O primeiro secretário da Área Metropolitana de Lisboa considera ser necessária “uma governação supramunicipal para algumas matérias, mas com uma atuação local”. Esta sexta feira 18 municípios irão assinar aquele que é um compromisso que reúne princípios orientadores de ação, mas que ainda não tem medidas concretas. Mas para além do papel ativo das instituições, o secretário da área metropolitana de Lisboa defende que é essencial sensibilizar os cidadãos.

“É absolutamente central que nós ganhemos as pessoas, os cidadãos, as instituições para isto. Um dos objetivos é também consciencializar, permitir que cada um de nós seja um ativo interventor sobre estas matérias”, acrescentou.

Mas se as consequências das alterações climáticas, seja o aumento da temperatura ou a subida do nível médio das águas, e o impacto na vida e saúde dos habitantes das zonas ribeirinhas não são propriamente novidade, a possibilidade de inundações deveria ter sido considerada nos projetos de milhões previstos junto à água.

Em declarações ao Público, Sérgio Barroso, coordenador técnico deste estudo, destaca as novidades deste trabalho: as implicações nos estuários do Tejo e do Sado. O estudo prevê que o mar suba cerca de 90 centímetros até 2100, provocando assim fenómenos desconhecidos das populações ribeirinhas, como são as cheias rápidas e as inundações progressivas.

“Estes efeitos são mais novos porque não temos memória, não há registos, e é difícil até as pessoas compreenderem que isto vai mesmo acontecer”, disse Sérgio Barroso, reforçando que as pessoas “não estão minimamente preparadas para isto”.

O estudo refere os concelhos de Lisboa, Almada e Seixal como aqueles que têm mais população em risco de sofrer com os impactos de eventos climáticos extremos, sobretudo os costeiros. Dentro destes concelhos, há freguesias onde toda a população está em risco. São disso exemplo a freguesia da Costa de Caparica (Almada), União de Freguesias do Gaio-Rosário e Sarilhos Pequenos (Moita) e Freguesia do Sado (Setúbal).

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