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Chefes de equipa de urgência cirúrgica do Hospital de Santa Maria reapresentaram demissão

Sindicatos dos Médicos acusam a administração de “recuo perante todos os compromissos que tinha assumido”. Sindicatos alertaram que banco de urgência cirúrgica não estava a funcionar esta manhã. Conselho de Administração nega que tenha recuado.
Hospital de Santa Maria - foto de sns.gov.pt
Hospital de Santa Maria - foto de sns.gov.pt

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) informou esta quinta-feira que os chefes de equipa de urgência cirúrgica reapresentaram o pedido de demissão, dois dias depois de o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte ter anunciado que tinham chegado a acordo.

À agência Lusa, o secretário-geral do SIM declarou que "o Conselho de Administração durante o dia de ontem [quarta-feira] voltou atrás perante todos os compromissos que tinham assumido com os chefes de equipa demissionários e neste momento esses colegas reapresentaram os seus pedidos de demissão”. Jorge Roque da Cunha acrescentou que não foi cumprida a questão dos novos circuitos, do reforço das equipas e “o respeito pelos tempos de descanso e de trabalho máximo por semana”.

O SIM e o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZL) disseram ainda que o banco de urgência cirúrgica não estava a funcionar na manhã desta quinta-feira. “Até às 10h de hoje não havia ninguém para fazer urgência porque as escalas de urgência não foram criadas e as exigências dos médicos do serviço de Cirurgia não foram cumpridas”, disse à Lusa o presidente do SMZL. João Proença acrescentou que já no domingo passado “não havia ninguém destinado para fazer banco de urgência de cirurgia e hoje também não há”. O presidente do SMZL lembrou que os chefes de equipa tinham dado um prazo para “a resolução total dos problemas”, nomeadamente “a modificação dos protocolos e a constituição das equipas de urgência”, mas a situação não foi resolvida.

Jorge Roque da Cunha afirmou que o SIM lamenta “a incapacidade em cumprir acordos”, assim como o “total silêncio do Ministério da Saúde”. O secretário-geral do SIM salientou que “a resiliência destes profissionais” está expressa “nas centenas de horas que este ano já efetuaram”.

Na passada terça-feira, 30 de novembro, os chefes de equipa de urgência, assistentes hospitalares e internos da formação específica da especialidade de Cirurgia Geral do Departamento de Cirurgia do CHULN tinham alertado que em dezembro a prestação de cuidados de saúde nas urgências poderia estar em causa por falta de médicos.

Estes especialistas esclareceram ainda que “a degradação das condições de trabalho” neste serviço, “o número excessivo de horas extraordinárias, equipas subdimensionadas para o trabalho prestado” e a realização de trabalho fora do âmbito da sua especialidade “compromete uma adequada e segura prestação de cuidados de saúde aos doentes na urgência”. Na nota de esclarecimento referiram ainda que “a atividade assistencial não urgente e a formação contínua dos médicos do Departamento de Cirurgia” também fica comprometida.

Entretanto, o Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) negou à agência Lusa que tenha recuado nos compromissos que assumiu com os chefes das equipas cirúrgicas do Hospital de Santa Maria e disse ainda que “a urgência cirúrgica está a funcionar e a dar resposta aos doentes que acorrem ao serviço”, negando a informação dos sindicatos.

O CHULN referiu ainda que para além de reorganização de processos internos, tem a decorrer um concurso para entrada permanente de cirurgiões e recrutou nos últimos dias quatro especialistas, para reforço das equipas de urgência.

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