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Chefes da urgência de obstetrícia e ginecologia do Amadora-Sintra apresentam demissão

Em causa está a recusa da administração em contratar mais médicos especialistas. A falta de médicos nas urgências já obrigou à transferência de grávidas para outros hospitais e a Ordem dos Médicos tem vindo a denunciar a falta de profissinais em várias maternidades.
Chefes da urgência de obstetrícia e ginecologia do Amadora-Sintra apresentam demissão
Dos 17 médicos especialistas que fazem urgência de obstetrícia e ginecologia no Amadora-Sintra, nove têm mais de 55 anos e dois têm 54. Foto de Paulete Matos.

Os chefes de equipa do serviço de urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (conhecido como Amadora-Sintra) concretizaram o seu pedido de demissão. Os profissionais de saúde tinham anteriormente ameaçado demitir-se caso a administração não contratasse especialistas - exigência essa que não foi atendida.

"Uma vez que o Conselho de Administração e o Governo não responderam a qualquer das questões que os médicos colocaram - nomeadamente a contratação de especialistas para o serviço e a reorganização do serviço de urgência - e por considerarmos que a contratação de empresas de prestação de serviços pode mitigar o problema pontualmente, mas não tem nenhuma [consequência] estrutural, não há nenhuma razão para que os médicos não mantenham a demissão", disse à agência Lusa o presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha.

As cartas de demissão tinham sido apresentadas no início de agosto, tendo sido dado à administração do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca um prazo de 15 dias para resolver a situação, prazo esse que terminou a 14 de agosto.

Devido à falta de médicos, há uma “situação de contingência” no serviço de urgência de obstetrícia: “a nada ser feito, irá naturalmente fechar a médio prazo, porque, se neste momento os médicos com 55 anos decidissem deixar de fazer noites e com 50 anos deixassem de fazer urgências, não havia ninguém para fazer o serviço de urgência no hospital Amadora-Sintra", descreveu Roque da Cunha.

Segundo o responsável sindical, o Ministério da Saúde e o conselho de administração do hospital, "tal como em outras matérias, não fizeram nada para que o problema fosse resolvido".

O sindicato e os médicos consideram que a proposta apresentada, de contratação de profissionais de empresas de prestação de serviços, ou tarefeiros, não é uma solução. O SIM considera que a responsabilidade pelos problemas que ocorram “é do conselho de administração, uma vez que os médicos já entregaram minutas de exclusão de responsabilidade".

Trata-se da "posição dos chefes de equipa da urgência que é corroborada pela esmagadora maioria dos médicos, que também se solidarizaram com os responsáveis das equipas", acrescentou.

A médica Teresa Matos, uma das chefes da equipa de ginecologia e obstetrícia do hospital, tinha já revelado na semana passada que em todas as situações o serviço esteve a funcionar com equipas abaixo do mínimo, denunciado o facto de várias grávidas terem sido transferidas para outros hospitais por esse motivo.

O bastonário, Miguel Guimarães, defendeu na altura que o serviço precisa “com urgência” de mais cinco especialistas: “É uma emergência mesmo, porque, caso contrário, pode acontecer que a equipa de obstetrícia e ginecologia não possa funcionar em determinados dias”.

Dos 17 especialistas que fazem urgência, nove têm mais de 55 anos e dois têm 54, tendo legalmente o direito de se recusarem a fazer noites ou mesmo urgências.

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