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“A chantagem da Comissão Europeia é repetida a cada ano”

No final de uma reunião com a deputada do Livre, Catarina Martins comentou os avisos de Bruxelas ao esboço de orçamento do governo e reafirmou a disponibilidade do Bloco para negociar um Orçamento “que recupere salários, pensões e investimento público”.
Delegações do Livre e do Bloco
Delegações do Livre e do Bloco de Esquerda encontraram-se pla primeira vez em São Bento. Foto António Cotrim/Lusa

Foi a primeira vez que as delegações parlamentares do Bloco e do Livre se encontraram no palácio de São Bento. Esta terça-feira, as deputadas Catarina Martins, Beatriz Dias e o líder parlamentar bloquista Pedro Filipe Soares reuniram com a deputada do Livre, Joacine Katar Moreira, acompanhada por outros dirigentes do partido.

O encontro realizou-se a pedido do Livre e à saída Catarina Martins sublinhou as convergências entre os partidos em nome da necessidade “de uma lei laboral mais forte, que proteja quem vive do seu trabalho, sobre a necessidade de ter um Serviço Nacional de Saúde também mais forte, sobre as questões dos serviços públicos, da escola pública".. “Todas as convergências são importantes”, acrescentou a coordenadora bloquista, assinalando a disponibilidade do grupo parlamentar do Bloco para “questões procedimentais em que possamos ajudar” a deputada do Livre.

Questionada pelos jornalistas sobre a composição final do governo, Catarina respondeu que “o que vai definir o governo são as políticas”, uma vez que os nomes apresentados indicam que “há uma continuidade, resta saber para fazer o quê”. Da parte do Bloco, “aqui estaremos para um trabalho que possa ser feito de convergência à esquerda”, prosseguiu a coordenadora bloquista, dando o exemplo da nova Lei de Bases da Saúde, que “precisa de regulamentação e legislação nova” que assegure o fim da promiscuidade entre público e privado, a exclusividade dos médicos ou um “orçamento capaz”.

“É na capacidade do governo de continuar o trabalho à esquerda (ou não…) que se vai medir o que vai ser esta legislatura”, concluiu Catarina. Outro assunto do dia foram os avisos da Comissão Europeia ao esboço orçamental enviado esta semana por Mário Centeno. Nada que surpreenda o Bloco de Esquerda, respondeu Catarina. “A Comissão Europeia faz sempre este seu pequeno número. Diz sempre que Portugal não pode investir, ou não pode recuperar salários e pensões porque será desastroso para a economia”, recordou.

“Mas o que é que aprendemos nos últimos quatro anos? É que a Comissão Europeia não tem razão”, prosseguiu Catarina, lembrando que “a chantagem da União Europeia é repetida a cada ano”. E tal como nos anos anteriores, “o Bloco aqui estará para negociar um Orçamento do Estado que recupere salários, pensões e aumente o investimento público”.

Joacine Katar Moreira: União à esquerda dependerá "das medidas mais à esquerda do Partido Socialista"

Por seu lado, a deputada do Livre considerou o Bloco “um dos nossos parceiros fundamentais” em muitos temas do programa do partido que agora se estreia no parlamento. "Há uma ótica comum da necessidade de uma união à esquerda mas há igualmente a consciência de que esta união à esquerda dependerá necessariamente das óticas, da legislação e das medidas mais à esquerda do Partido Socialista", afirmou Joacine Katar Moreira, citada pela agência Lusa.

Para Joacine, "se o Partido Socialista tiver uma governação à esquerda, se tiver uma governação que respeite os direitos laborais, se tiver uma governação orientada para a redução das assimetrias económicas, sociais e por aí fora, obviamente que irá igualmente ter um suporte parlamentar de ambos".

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