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CGTP quer a ferrovia "nas mãos do Estado"

Isabel Camarinha defendeu que a ferrovia é um “setor estratégico para a economia nacional” e criticou o OE2021 por não responder às necessidades do setor, quer seja ao nível dos direitos dos trabalhadores, quer seja ao nível do desenvolvimento nacional.
Isabel Camarinha
Fotografia de Nuno Fox/Lusa.

A secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, defendeu a nacionalização completa da ferrovia. Em declarações à Lusa, referiu que “a exigência que aqui é feita é que, de facto, a ferrovia seja encarada como aquilo que é: um setor estratégico para a economia nacional, um setor estratégico que devia estar nas mãos do Estado na sua totalidade e não espartilhado como está neste momento”.

As declarações foram feitas à margem de uma concentração que juntou perto de duas dezenas de pessoas, inclusive representantes de comissões de trabalhadores do setor ferroviário, em frente ao Ministério das Infraestruturas e Habitação, em Lisboa, para assinalar o Dia Nacional do Ferroviário.

Segundo a líder da central sindical, os trabalhadores do setor têm sido “muito prejudicados pelas políticas dos sucessivos governos” e acrescentou que “a CGTP tem afirmado que é necessário valorizar o trabalho dos trabalhadores, mas é necessário para que o país se desenvolva, para que haja, de facto, um investimento nos vários setores, nomeadamente nesta questão da recuperação de setores estratégicos para o Estado, para o Estado poder controlar e poder utilizá-los no desenvolvimento do país e este é um setor muito paradigmático desse ponto de vista”.

Para Isabel Camarinha, a proposta de Orçamento de Estado para 2021 não responde às necessidades do setor ferroviário, “nem para melhorar as condições de vida dos trabalhadores, nem para desenvolver o país”. Apontou também que é um setor fundamental na defesa do ambiente e no combate às alterações climáticas.

A iniciativa juntou representantes do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário, da Comissão de Trabalhadores (CT) da CP, da CT da Infraestruturas de Portugal, da CT da Medway (antiga CP Carga) e da Comissão Central de Reformados.

As organizações presentes reivindicaram “um setor ferroviário unificado, na base de uma única empresa pública que inclua todas as diferentes componentes de infraestrutura, gestão de circulação e transporte de passageiros e mercadorias; manutenção, conservação e construção de material circulante e da via; área técnica, administrativa e de formação”.

O Dia Nacional do Ferroviário é assinalado no dia 28 de outubro, data em que foi inaugurada a primeira linha férrea portuguesa entre Lisboa e Carregado, em 1856.

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