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CGTP: Arménio Carlos faz balanço positivo no discurso de despedida

O XIV Congresso da CGTP arrancou esta sexta-feira no Seixal e ficará marcado pela mudança na liderança da central sindical.
Arménio Carlos.
Arménio Carlos no discurso de despedida do mandato à frente da CGTP. Foto CGTP-IN

“Há oito anos atrás dissemos que, aqui, na CGTP-IN, ninguém atira a toalha ao chão. Dissemos e cumprimos!”, afirmou Arménio Carlos no discurso de abertura do congresso da CGTP, o último do seu mandato à frente da central sindical. Foi em 2012 que o então dirigente da União dos Sindicatos de Lisboa substituiu Manuel Carvalho da Silva ao fim de 25 anos de mandato como secretário-geral.

Coube a Arménio Carlos dirigir a CGTP durante a luta dos trabalhadores contra a troika e o governo de Passos Coelho e Paulo Portas, “uma luta que foi dura e prolongada mas que acabou por ser determinante para esvaziar a base eleitoral do Governo PSD/CDS, afastá-los da governação e assim travar o processo de destruição de direitos e rendimentos”, congratulou-se.

Com a certeza de que “valeu a pena lutar” para reconquistar direitos “que o capital já tinha dado como ganho para todo o sempre”, como os feriados e as 35 horas na Administração Pública, o fim da sobretaxa e das privatizações, Arménio Carlos também falou da segunda metade do seu mandato, com a maioria parlamentar da “geringonça” e o que de positivo trouxe: “da redução do valor dos passes de transporte à gratuitidade dos manuais escolares, da reintrodução de mais escalões no IRS à actualização do mínimo de existência”, destacou.

Tudo isso exigiu luta, que “ao contrário do propalado, não só não se reduziu, como nos últimos anos se intensificou face à política laboral de direita do Governo do PS e às posições retrógradas do grande patronato”, recordou Arménio Carlos, sublinhando o aumento registado do número de greves, concentrações e manifestações no período recente.

O discurso de Arménio Carlos passou também por críticas ao PS e ao acordo assinado com UGT e patrões e depois aprovado com a direita no parlamento. E a promessa de que “nada nem ninguém nos demoverá de prosseguir a luta pela eliminação de uma legislação que quer condenar as novas gerações ao empobrecimento”.

“A CGTP-IN reafirma que prefere estar sozinha na defesa dos trabalhadores na Concertação, do que acompanhada a assinar acordos que fragilizam e reduzem os direitos dos trabalhadores. A assinatura de um Acordo pela CGTP-IN é um “selo de garantia” de que não há direitos roubados, que não há condições de trabalho ou de vida piorados”, sublinhou Arménio Carlos.

A votação para a eleição do Conselho Nacional decorreu sem surpresas, com 596 delegados (94.5% dos participantes) a votarem na lista única proposta, 25 votos em branco (4%) e 10 votos nulos (1.6%).

No sábado será anunciado o resultado da votação no novo Conselho Nacional e a escolha de Isabel Camarinha para próxima lider da CGTP. A dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritório e Serviços de Portugal (CESP) foi apresentada como a proposta que reuniu maior consenso na maioria dos dirigentes.

Mas ao contrário do que aconteceu em 2012, quando as correntes minoritárias não apresentaram candidatura alternativa à de Arménio Carlos, desta vez a corrente socialista apresentará Fernando Gomes, membro da comissão executiva da central desde 2001. Em comunicado, esta corrente afirma que “a conhecida e assumida militância de Isabel Camarinha na corrente sindical do PCP levanta sérias preocupações de que, com a sua eleição, passe a existir ainda uma maior aproximação da CGTP-IN ao PCP”.

As críticas ao “fechamento sectário da CGTP” na composição da lista para a próxima comissão executiva, que voltou a deixar de fora a corrente de sindicalistas próximos do Bloco de Esquerda, também se fizeram ouvir na preparação deste congresso. “Num congresso que devia abrir caminhos de ampliação e inclusão, o estreitamento, a ausência de renovação política e a exclusão de opiniões é um sinal preocupante sobre o futuro”, lê-se no documento subscrito esta semana por quinze dirigentes de sindicatos da CGTP.

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