De acordo com a FEBASE, o plano de reestruturação tem-se traduzido em “numerosas situações gravosas para os seus trabalhadores e para os utentes”, nomeadamente no que respeita aos “diversos atropelos ao Acordo de Empresa que estão a ser praticados pelo Conselho de Administração da Caixa” e ao "encerramento discricionário" de agências do banco por todo o país.
Entre os motivos que estiveram na origem do protesto incluem-se ainda, segundo a FEBASE, o esvaziamento de instalações com o intuito de as "alienar em benefício da concorrência"; o tratamento dos funcionários como "meras peças descartáveis que vivem na incerteza do seu destino"; a degradação da imagem da instituição devido à introdução de carrinhas transformadas em agências ambulantes; e as ameaças e intimidações como forma de pressão visando a consecução de objetivos, "numa prática continuada de assédio".
Os cerca de 100 trabalhadores da CGD que se manifestaram este sábado em Santa Maria da Feira denunciaram, por outro lado, "o apagão completo" a que a administração os tem condenado no que respeita ao plano de reestruturação do banco.
"Queremos ser informados sobre o que se está a perspetivar em termos da redução de pessoal - se vai ser com recurso a reformas antecipadas ou por outra via - e o que está a acontecer é que, entre os sindicatos do setor, há um apagão completo em termos de nesta matéria", afirmou o secretário-geral da FEBASE, Mário Mourão, em declarações à agência Lusa.
"Devia haver uma comissão que acompanhasse o plano de reestruturação, o que permitiria acabar com o clima de medo que se está a viver hoje dentro da Caixa", sublinhou o dirigente sindical.
De acordo com Mário Mourão, as regiões do interior serão as mais prejudicadas com os cortes previstos, o que contribui para que a população em geral esteja a "perder confiança na Caixa" enquanto instituição financeira cujo desempenho deveria ser "serviço público".
O secretário-geral da FEBASE também expressou a sua preocupação face ao aumento das comissões cobradas, defendendo que, embora a CGD tenha que reger-se pelas mesmas regras da generalidade do setor, essas taxas "não podem ser cobradas de forma cega, sem distinguir entre quem pode pagá-las e quem não tem condições para isso".
Álvaro do Bem, funcionário da CGD "há mais de 35 anos", disse à Lusa que “a Caixa esteve sempre virada para o serviço público e hoje tornou-se uma máquina trituradora, interna e externamente, para prejuízo dos clientes e também do seu maior capital, que são os trabalhadores".
"É preciso restituir-lhe o caráter de instituição destinada ao serviço público, rentabilizar os conhecimentos que os funcionários têm quanto às populações com que vêm trabalhado e garantir que não se perde esse contacto, essa firmeza e solidez", defendeu.
Álvaro do Bem pronunciou-se também sobre a insensibilidade da administração da CGD para "o facto mais relevante, que é a perda de confiança geral na instituição", principalmente num momento em que, mediante o aumento do custo dos serviços bancários prestados ao cliente, "toda a gente sabe que os bancos portugueses tiram às pessoas cinco milhões de euros em comissões bancárias todos os dias".
CGD "sem rei nem roque"
Também o STEC - Sindicato de Trabalhadores das Empresas do grupo Caixa Geral de Depósitos tem vindo a denunciar os efeitos do plano de reestruturação da CGD.
Num comunicado datado de 16 de janeiro, o Sindicato acusa a administração da CGD de encerrar agências e reduzir regiões.
“Esvaziam-se à pressa esses espaços e solicitam-se as respetivas Cadernetas Prediais! Naturalmente para a sua rápida alienação! Quanto aos Diretores, são recolocados uns, reformados e pré-reformados outros, a aguardar destino mais uns quantos! No que se refere aos trabalhadores, não há qualquer tipo de atenção e nem sequer preocupação em respeitar o que o Acordo de Empresa estabelece quanto ao encerramento de estabelecimento”, escreve o STEC.
De acordo com este Sindicato, “os trabalhadores são atirados para a ‘terra de ninguém’ e completamente deixados ao ‘Deus dará’ sem saberem o que vão fazer e onde vão ser colocados”, o que tem vindo a “alterar gravemente a organização laboral da rede de Agências da CGD e a afetar profundamente a estabilidade social e familiar dos trabalhadores aí colocados”.