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Cesarianas continuam a aumentar nos hospitais públicos

Em 2019, três em cada dez partos no SNS foram por cirurgia. A subir pelo terceiro ano consecutivo, a taxa de cesarianas atingiu o valor mais elevado desde 2013.
Foto de Inacio Rosa - Lusa

Esta subida significativa e reiterada preocupa Diogo Ayres de Campos, antigo presidente da Comissão Nacional para a Redução da Taxa de Cesarianas, que referiu ao Jornal de Notícias que “se sobe um ano, pode ser algo ocasional, mas três anos seguidos já indica que as coisas não estão a correr no sentido que nós queremos".

Para o diretor do Serviço de Obstetrícia do Centro Hospitalar Lisboa Norte é possível que isto aconteça devido às horas extraordinárias em excesso ou a falta de recursos, como pelo motivo de "algumas pessoas que trabalham no público e no privado trazerem para os hospitais públicos alguns dos pensamentos do privado".

No ano de 2019 houve mais 1001 cesarianas, representando um aumento de 5% quando comparado com o ano transato, ao passo que a variação positiva do número de partos no geral foi de apenas 0,02%, o que representa mais 13 partos, segundo dados do Portal de Transparência.

A grande maioria dos partos realizados em Portugal continua a ser no SNS, representando 73,2% do total. Dos restantes 26,8% que se realizam no privado, apenas um terço são partos vaginais, situação que preocupa os especialistas na área.

Em declarações ao JN, Marina Moucho, diretora do Serviço de Urgência de Ginecologia/Obstetrícia do Hospital de S. João, refere que o excesso de peso e a idade poderá ser também um risco, até porque segundo os dados do S. João, de um total de 2336 partos no ano de 2019, 34,2% das mulheres têm mais de 35 anos e cerca de 15,5% tinham excesso de peso.

Jorge Breda, diretor do Centro Materno Infantil do Norte, salienta ainda que são cada vez mais os bebés a nascer com mais de quatro quilos, o que representa um "aumento da macrossomia fetal".

Já nos hospitais privados, a percentagem de cesarianas chega aos 66,3%, cerca do dobro do registado nos hospitais públicos. Para a obstetra Marina Moucho, o problema poderá ser financeiro porque “um parto vaginal que dura dez horas custa metade de uma cesariana. O pagamento devia ser igual. Se, de facto, se tratar de um desígnio nacional, tinha que ser pensado assim".

Marina Moucho refere ainda que “a cesariana apresenta um maior risco de infeção, de ruturas do útero em trabalho de parto, de placentas prévias", elencando, no entanto, que esta pode ser necessária em situações especificas de risco tanto para a criança como para a mãe.

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