Está aqui

Centro comunitário atacado depois das ameaças da extrema-direita

A Disgraça, na Penha de França, em Lisboa, foi atacada por três cabeças rapadas na madrugada de dia sete.
Cozinha Solidária Autogerida, uma iniciativa da Disgraça. Foto do Facebook do Centro Comunitário.
Cozinha Solidária Autogerida, uma iniciativa da Disgraça. Foto do Facebook do Centro Comunitário.

Na noite da passada sexta-feira, dia sete, o centro comunitário Disgraça, na Penha de França, em Lisboa, reabria pela primeira vez depois da pandemia. O facto era público e havia até um evento no Facebook do grupo. Depois da uma da manhã, três elementos, entre 30 a 40 anos, de roupas escuras, máscaras, cabeças rapadas e tatuagens, atacaram as pessoas presentes.

O ataque aconteceu horas depois do e-mail enviado por um grupo que se identificou como “Nova Ordem de Avis” e que ameaçava diretamente uma lista de anti-fascistas, dando-lhes 48 horas para abandonar território nacional ou então “medidas serão tomadas contra estes dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança do povo português”. Para além disso, dizia-se que “o mês de Agosto será o mês do reerguer nacionalista” que não se ia “mais tolerar a presença de terroristas Antifas nas nossas ruas”.

Ao Público, algumas das dez pessoas presentes contam o sucedido. Uma delas conta que começaram por perseguir duas pessoas que iam a entrar para o centro dizendo “'são antifascistas, são antifascistas, agora vão ver como são elas’, algo assim, mas não deu para perceber as palavras exactas.”

Depois, forçaram a entrada, destruíram objetos e atiraram uma botija de gás pelas escadas abaixo. Partiram uma janela com uma garrafa de cerveja e roubaram um extintor. Depois das intimidações e dos estragos, fugiram de carro.

O Disgraça define-se como anti-autoritário. Por isso, será um alvo da extrema-direita que o considerará parte dos movimentos antifascistas que ameaçou.

Termos relacionados Sociedade
(...)