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Centenas de pessoas manifestam-se contra dragagens no estuário do Sado

Mais de 500 pessoas protestaram contra a autorização do governo às dragagens que põem em causa a classificação ecológica do Estuário do Sado. "Custe o que custar, doa a quem doer, o Sado é para defender" entoaram os manifestantes.
Manifestação contra as dragagens no rio Sado, 13 de outubro de 2018 – Foto de Carlos Santos/Lusa
Manifestação contra as dragagens no rio Sado, 13 de outubro de 2018 – Foto de Carlos Santos/Lusa

Neste sábado, 13 de outubro de 2018, mais de 500 pessoas manifestaram-se em Setúbal em defesa do rio Sado e contra as dragagens no estuário deste rio. A ação foi convocada pelo Clube da Arrábida, por grupos de cidadãos Sado de Luto e SOS Sado, e pelas associações ambientalistas Zero, Quercus e LPN, e pela cooperativa de pescadores Sesibal e visou protestar contra o início das obras de alargamento e aprofundamento do canal marítimo de acesso ao Porto de Setúbal.

Segundo a Lusa, "custe o que custar, doa a quem doer, o Sado é para defender" foi uma das palavras de ordem entoadas pelos manifestantes.

Estuário do Sado "não está vocacionado para ser um porto de águas profundas"

Durante a ação, o presidente da Associação Zero, Francisco Ferreira, afirmou que o estuário do Sado "é um ecossistema a único que não está vocacionado para [ser] um porto de águas profundas".

"O próprio Estudo de Impacte Ambiental é muito claro: diz que os golfinhos do Sado, roazes corvineiros, estão em perigo, estão em risco durante as dragagens - e a sua zona de alimentação também - e, em particular, os indivíduos mais jovens. Há exemplos da Escócia, onde as dragagens afetaram a vida destes animais, desta comunidade única, que é extremamente sensível", salientou Francisco Ferreira.

O presidente da Zero declarou ainda que “esta área devia ser Rede Natura, portanto classificada à escala europeia, e só não é porque as pressões do porto de Setúbal e de outros setores levaram a que essa classificação não fosse atribuída, contrariando a recomendação dos cientistas".

Francisco Ferreira disse também que a retirada de areia para alargamento e aprofundamento do canal de navegação do porto de Setúbal também irá afetar as praias da Arrábida e colocar em risco o desenvolvimento turístico de toda a região. Apelou também à ministra do Mar para que retroceda neste caminho, tal como fez em relação à localização do terminal de contentores do Barreiro.

Manifestação “superou melhores expectativas”

Segundo a agência, o presidente do Núcleo Regional da Quercus de Setúbal, Paulo do Carmo, alertou para as consequências que as dragagens no estuário poderão ter para o turismo.

"Tem-se apostado tanto no turismo, que não faz sentido fazer uma obra desta dimensão naquela que é considerada uma das mais belas baías do mundo. Estamos a apostar cada vez em Troia, há uma aposta forte dos investidores no turismo. Esperamos que a ministra do Mar e a presidente da APSS reflitam e discutam com as associações", disse o dirigente da Quercus.

Pedro Vieira, do Clube da Arrábida, afirmou que a manifestação deste sábado "superou todas as nossas melhores expectativas".

"A manifestação de hoje veio trazer-nos a notoriedade necessária para mostrar que não somos um grupo de arruaceiros, como nos apelidaram durante semana. Foi uma demonstração da sociedade civil, de pessoas que estão contra um crime ambiental que se vai realizar no rio Sado", realçou e anunciou que vão “aguardar pela decisão da providência cautelar” e que “há ainda a possibilidade de avançarmos com uma outra providência cautelar".

Bloco de Esquerda já chamou Ministra do Mar e Presidente da APA ao Parlamento para esclarecerem se o executivo vai permitir que interesses económicos privados se sobreponham à preservação ambiental e à defesa dos golfinhos.

 

 

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