Está aqui

Centenas de pessoas juntaram-se esta sexta-feira para defender ciclovia da Almirante Reis

Durante o protesto, convocado pela Massa Crítica de Lisboa, foram várias as vozes de repúdio contra a decisão do autarca Carlos Moedas, que já promoveu a remoção parcial da ciclovia. Catarina Martins afirmou que esta é uma “decisão que não se compreende”.
Foto Esquerda.net.

Na convocatória da iniciativa, o movimento Massa Crítica de Lisboa lamenta que “agora que esta importante ciclovia existe e começa a mostrar a sua importância na mobilidade ciclável de Lisboa”, Moedas já tenha “planos para modificá-la, diminuí-la e com isso diminuir a segurança de quem a utiliza".

Os ativista acusam o presidente da Câmara de Lisboa de mentir “quando diz que esta ciclovia prejudica a passagem de ambulâncias, e mente quando diz que ‘ouviu as pessoas’, após promover a simulação de um processo de auscultação para o qual já tinha resultados predefinidos".

“Não podemos deixar que tirem esta ciclovia à cidade de Lisboa se queremos cidades mais sustentáveis, e se precisamos de mais segurança para a crescente parte da população que escolhe a bicicleta como meio de transporte”, lê-se no evento de Facebook.

O repúdio face ao ataque à ciclovia da Avenida Almirante Reis, que, entretanto, foi parcialmente removida esta semana, levou centenas de pessoas a promover um protesto em duas rodas. As e os ciclistas encontraram-se pelas 18 horas no Marquês de Pombal, desceram a Avenida da Liberdade até à Baixa e depois percorreram a Almirante Reis.

O Bloco de Esquerda participou nesta iniciativa, que contou com a presença de Catarina Martins, da vereadora Beatriz Gomes Dias e do deputado municipal Ricardo Moreira, entre outros.

Foto Tiago Petinga, agência Lusa.

“É uma decisão que não se compreende”

A coordenadora nacional do Bloco frisou que “não há nenhum motivo para acabar com a ciclovia, nem nenhum estudo que a tal aconselhe. É uma decisão que não se compreende”.

Foto Esquerda.net.

Catarina acrescentou que, “quem acompanhou o debate em Lisboa, saberá que a ciclovia na Almirante Reis esteve envolvida em alguma polémica, teve momentos em que funcionou pior a circulação, nomeadamente antes de abrir a estação de metro de Arroios”. Mas “hoje em dia está tudo a correr bem, a ciclovia é utilizada por muita gente que vai para o trabalho, jovens que vão estudar, estafetas, traz grande segurança, sem que existam problemas de trânsito, e, inclusive, as ambulâncias acabam por ganhar com a folga que a ciclovia lhes dá”.

Numa “artéria que tinha problemas de trânsito e de segurança, temos uma solução de ciclovia que dá segurança, permite que muita gente tenha optada pela bicicleta como seu meio de transporte”, apontou a dirigente bloquista.

Catarina lembrou ainda que “foi investido muito dinheiro público dos contribuintes numa ciclovia que está a funcionar bem e que é boa para a cidade”. Apesar disso, Carlos Moedas avança com uma solução sem estudos que desperdiça o dinheiro público e faz a cidade andar para trás”.

A coordenadora do Bloco criticou “a ideia velha de que as cidades devem ser só carros e só tubos de escape” e reforçou a necessidade de serem promovidos estudos e a devida consulta pública, mecanismos indispensáveis “para tomar decisões públicas sensatas e fundamentadas”.

Carlos Moedas decidiu avançar as obras na ciclovia da Avenida Almirante Reis sem divulgar o projeto e sem apresentar um estudo técnico proposto pelo Bloco de Esquerda, Livre e Vereadora Paula Marques que “explique porquê gastar milhares de euros a voltar a um desenho de ciclovia que foi abandonado. Mas as marcações permitem perceber que a ciclovia de Carlos Moedas não cumpre as dimensões mínimas previstas no PDM”, explica a vereadora Beatriz Gomes Dias nas redes sociais.

O deputado municipal Ricardo Moreira recorda, por sua vez, que tinha havido um compromisso de Carlos Moedas de agendar, para a próxima reunião do executivo, na segunda-feira, estas propostas, que sugerem que "antes de qualquer alteração na configuração do perfil da avenida" seja apresentado o projeto de alteração fundamentado para a ciclovia da Almirante Reis, abrindo "um período de recolha de contributos de não menos 30 dias".

 

Termos relacionados Sociedade
(...)