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Centenas de economistas pedem eurobonds para enfrentar crise

Numa carta aberta dirigida ao Conselho Europeu, economistas e académicos internacionais propõem a emissão de obrigações de dívida europeia para financiar o esforço de resposta ao Covid.

Economistas e académicos internacionais como Mark Blyth, Thomas Piketty, Gabriel Zucman, Giovanni Dosi, Alan Kirman, Francisco Louçã e Jean Paul Fitoussi alertam que “a crise do Covic-19 pode destruir a zona euro”.

Na missiva, lembram que “o BCE afirmou que faria o que for necessário”, indicando que “poderia usar as políticas monetárias necessárias e que financiaria e apoiaria o esforço orçamental”.

“Nenhum Estado membro deveria ter que recorrer a um bail-out ou assinar um novo memorando para acesso a fundos de emergência. Isto é uma crise europeia, exige uma solução europeia”, defendem, apelando a que, em vez de termos cada Estado membro a emitir a sua dívida, o Conselho Europeu “emita um Eurobond comum”.

“Precisamos de um instrumento comum de dívida para mutualizar os custos orçamentais no combate à crise. Agora é tempo de ação. É tempo de solidariedade. É tempo de eurobonds”, reforçam.

Em declarações ao Público, Francisco Louçã adverte que “os efeitos estruturais desta crise na economia serão mais profundos que os da crise de 2008”. “Os custos estão longe de ser concebíveis”, mas terão efeitos no emprego, salários e na capacidade produtiva, sinaliza Louçã, adiantando que apresentar respostas é “uma urgência” e os eurobonds são “a solução mais à mão”.

“Ou as economias europeias fazem um esforço de recuperação, com subsídios sociais, de desemprego, com apoios de investimento e linhas de crédito e aceitam a contrapartida de um financiamento mais caro e disparar do défice - e isso levá-las-ia a novos programas de austeridade -, ou encontram uma forma de financiamento comum com medidas excecionais que reduzam o juro”, defende o economista. 

De acordo com Francisco Louçã, o posicionamento de Carlos Costa a favor da medida, bem como o facto de Angela Merkel ter quebrar o tabu e admitido a emissão de dívida comum, revelam que “a discussão no BCE desequilibrou os opositores tradicionais”.

"Nas lideranças europeias, há a perceção que uma recessão económica e uma tensão na dívida pode pôr em causa o euro”, sinaliza.

Questionado sobre se existem outras soluções, Francisco Louçã refere que sim. Contudo, aponta que as mesmas originarão défice orçamental. E com uma segunda vaga de medidas de austeridade “as consequências sociais também serão desastrosas”, adverte. “É o mesmo que dizer que a UE não existe e não responde aos problemas das pessoas e da economia”, vinca.

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